Entre desenhos, cheiros, memórias e escrita, atividades mostrar que formar leitores vai muito além dos livros

Criatividade é apostar para fazer uma menina gostar de ler
Ver jovens escrever é um sinal de que a literatura continua despertando interesse Foto: Elis Regina)

Fazer uma criança gostar de ler não é tarefa simples, principalmente em um tempo em que celulares e redes sociais disputam a atenção o tempo todo. Na 10ª Feira Literária de bonito (FLIB), a aposta para aproximar crianças, adolescentes e adultos da literatura passa pela criatividade.

Em vez de começar pelo livro, as oficinas começam pela imaginação. Tem poesia, pintura, grafismo indígena, escrita criativa e até atividades que usam aromas e lembranças para mostrar que uma história pode nascer das situações mais simples do cotidiano.

Ao longo da programação, estudantes de escolas públicas participaram de workshops que misturaram arte, literatura e cultura indígena. As atividades convidaram as crianças a escrever, desenhar, ouvir histórias e descobrir que ler também pode ser uma experiência divertida.

Uma das oficinas foi conduzida pela escritora e professora Eva Vilma, que chegou à FLIB esperando conversar com pessoas ligadas ao mercado editorial, mas encontrou muitos adolescentes pela frente.

“Eu pensei que teria uma galeria mais ligada à cadeia do livro, querendo entender esse processo de criação, as etapas da edição. Mas tinha muitos adolescentes, e a gente reorganizou parte da oficina. Foi muito legal, porque eles se envolveram demais, participaram e acessaram esses territórios da infância a partir das propostas”, afirmou.

Para ela, ver jovens escrevendo é um sinal de que a literatura continua despertando interesse.

“Ver adolescentes escrevendo, criando, acessando esses elementos que destravam a imaginação, é muito bonito. Eles vêm, estão acessando isso a partir de feiras literárias, esses dias em que a gente respira literatura”, disse.

A escritora Tânia Souza também apostou em um caminho diferente para criar a escrita. Durante o workshop, os participantes realizaram histórias a partir de cheiros, imagens e objetos do dia a dia.

“Quando eu estava preparando um escritório, pensei no estudante que às vezes não tem muita prática de escrita, ou nem gosta de escrever. Quis mostrar que é possível escrever a partir de diversos elementos do cotidiano”, explicou.

Criatividade é apostar para fazer uma menina gostar de ler
Ao longo da programação, estudantes das escolas públicas participaram de escritórios (Foto: Elis Regina)

O resultado, segundo ela, foi além da expectativa.

“Saíram vários textos maravilhosos. Algumas surpresas pela idade e pela maturidade da escrita dos alunos”, destacou.

Entre quem participou foi Davi Alves Silva, aluno do 7º ano da Escola Barão do Rio Branco, de Corumbá. Em sua primeira viagem escolar para uma feira literária, ele descobriu que escrever pode ser tão divertido quanto desenhar.

“Pra mim foi bem legal. Na oficina da Eva, a gente relembrou a infância, os livros infantis. Na da Tânia, foi mais puxado para criar textos e histórias. Eu gosto bastante de desenhar e, de vez em quando, escrever. Tenho muita criatividade em casa, estou sempre desenhando ou criando alguma coisa para minhas irmãs e para mim”, contornou.

Até sábado (11), a FLIB continua oferecendo oficinas gratuitas para diversos públicos, mostrando que formar novos leitores pode começar muito antes da primeira página de um livro: com uma lembrança, um desenho, uma conversa ou a coragem de colocar uma ideia no papel.

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