Nota afirma que a morte foi “anunciada” e cita seis pedidos para que ele deixe a prisão

Família de Bernal acusa Estado de falha na proteção de ex-prefeito
O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, em entrevista ao Campo Grande News. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

A família do ex-prefeito Alcides Bernal e os advogados que os defenderam acusaram o Estado de falha na proteção à vida do político durante o período em que ele prendeu, em nota pública divulgada às 19h23 desta terça-feira (14), em Campo Grande. O documento afirma que a defesa alertou a Justiça sobre a doença cardíaca e apresentou seis pedidos para que Bernal deixasse o presídio antes da morte.

A família e os advogados do ex-prefeito Alcides Bernal acusaram o Estado de falha na proteção à vida do político, preso desde março. A defesa tem apresentado seis pedidos de liberdade entre abril e julho, todos negados pela Justiça. Bernal morreu aos 60 anos, na madrugada de segunda-feira (13), após um infarto durante cateterismo de urgência na Santa Casa de Campo Grande, antes de ser julgado pelo assassinato do auditor fiscal Roberto Carlos Mazzini.

“Sua morte não foi imprevisível. Foi anunciada. E foi anunciada por escrito, com base em ciência. A voz da ciência foi silenciada pelo recebimento da opinião pública”, afirma o trecho da nota.

O documento tem as assinaturas da filha Sarah Bernal, da esposa Mirian Gonçalves e dos advogados Walquiria Moraes, Wilton Acosta, Ricardo Machado Filho e William Maksoud. Familiares e defensores afirmaram que alertaram a Justiça várias vezes sobre o grave quadro de saúde de Bernal.

Segundo a manifestação, a defesa apresentou seis pedidos de liberdade ou prisão domiciliar entre abril e julho deste ano, todos acompanhados de documentos médicos. A Justiça rejeitou as obrigações. O último pedido citado na nota foi protocolado em 8 de julho, após Bernal passar por procedimentos cardíacos.

A família também criticou o retorno do ex-prefeito ao Presídio Militar Estadual após alta hospitalar. Conforme o texto, a escolta levou Bernal em um camburão, sem o suporte necessário para um paciente recém-operado do coração.

A nota cita ainda um oficial da administração do presídio que informou a falta de UTI (unidade de terapia intensiva), unidade coronariana, cardiologista e equipe de enfermagem em regime de plantão. Para os signatários, a unidade não tinha estrutura para atender um paciente no período após uma cirurgia cardíaca.

“A defesa afirma, com todas as letras, que o Estado falhou no seu dever de proteção à vida de quem estava sob a sua custódia. Essa falha não pode ser normalizada nem esquecida”, diz o documento.

Familiares e advogados também afirmam que a busca por Justiça não pode retirar direitos fundamentais e decisões críticas motivadas, segundo eles, pela pressão da opinião pública.

Alcides Bernal não chegou ao seu julgamento. Morreu presumivelmente inocente. A história registrará o dia em que a Justiça deixou de cumprir sua missão de resguardar, de forma técnica e científica, a vida de um homem, sucumbindo, mais uma vez, à pressão da opinião pública”, afirma a nota.

A política completaria 61 anos nesta terça-feira. “Na data de hoje completaria 61 anos de idade, mas infelizmente deixa esposa viúva e filha que o amavam muito”, encerra a manifestação.

Histórico – Bernal morreu aos 60 anos, às 0h35 de segunda (13), na Santa Casa de Campo Grande. O ex-prefeito sofreu um novo infarto durante o terceiro cateterismo de urgência. Os médicos identificaram tromboses nos stents implantados no coração e procuraram restabelecer o fluxo de sangue, mas não direcionado.

O político havia retornado ao Presídio Militar Estadual após receber alta hospitalar na sexta (10). Já no sábado (11), ele voltou a sentir-se mal e foi levado à Santa Casa, onde houve internados até a morte.

O ex-prefeito foi preso desde março pela morte do auditor fiscal Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, em casa na Rua Antônio Maria Coelho, região do Jardim dos Estados. Bernal admitiu os disparos, mas afirmou que agiu para se defender após receber um alerta sobre uma suposta invasão ao imóvel.

A Caixa Econômica Federal havia retomado a casa por falta de pagamento e vendido o imóvel a Mazzini. O auditor foi ao endereço acompanhado por um chaveiro para assumir a posse do bem quando foi baleado.

A Justiça decidiu, em junho, que Bernal deveria ser julgado por júri popular. O ex-prefeito morreu antes do julgamento.

Veja a íntegra da nota abaixo:

Família de Bernal acusa Estado de falha na proteção de ex-prefeito

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