Carga de 130 toneladas de madeira continua retida no Porto Seco, em Corumbá; PF não emitiu laudo final

Documento da polícia boliviana reforça que não há cocaína em apreensão record
Madeira apreendida em Corumbá (Foto: Divulgação)

Documentos emitidos pela Polícia Boliviana reforçam que não foram encontrados vestígios de cocaína nas cargas de madeira apreendidas pela Receita Federal em Corumbá no dia 20 de junho. Os relatórios, anexados às declarações de trânsito aduaneiro dos caminhões, descrevem as inspeções realizadas antes da entrada da mercadoria no Brasil e apresentam resultado negativo para substâncias controladas.

Documentos da Polícia Boliviana indicam ausência de cocaína nas cargas de madeira apreendidas pela Receita Federal em Corumbá no dia 20 de junho. Inspeções realizadas antes da entrada no Brasil e testes laboratoriais tiveram resultado negativo. Os caminhões permaneceram retidos no Porto Seco, acumulando mais de R$ 42 mil em custos de armazenamento, enquanto a Polícia Federal aguarda a conclusão do laudo pericial definitivo produzido em Brasília.

Conforme apurado pelo Notícias Campo Grandeo mesmo documento consta nos quatro caminhões que permaneceram retidos em Corumbá. A apreensão é tratada pela Receita Federal como a maior investigação sobre possível cocaína impregnada em madeira já realizada no País.

De acordo com os relatórios, equipes da Força Especial de Combate ao Narcotráfico da Bolívia realizaram inspeção em 19 de junho, no Centro Integrado de Controle de Cargas entre Corumbá, Puerto Suárez e Puerto Quijarro. Cerca de 70% da carga foi vistoriada com apoio de cão farejador, sem qualquer alteração.

Ainda segundo o documento, por determinação superior, novas amostras da madeira foram recolhidas em 22 de junho e encaminhadas para análise laboratorial. O resultado foi negativo para substâncias controladas. Após a conclusão dos exames, a carga foi liberada pelas autoridades bolivianas em 2 de julho, sem qualquer restrição.

Apesar disso, os trânsitos permaneceram retidos no Porto Seco de Corumbá. A Receita Federal aguarda a conclusão do laudo pericial definitivo da Polícia Federal, produzido em Brasília, para definir o destino da mercadoria.

Conforme a defesa das transportadoras que transportaram os quatro caminhões apreendidos em Corumbá, até o momento, não houve constatação de entorpecentes, tampouco imputação criminal contra as empresas.

Documento da polícia boliviana reforça que não há cocaína em apreensão record

Segundo o advogado Leandro Lobo, a demora na conclusão da investigação tem provocado prejuízos financeiros às empresas. Apenas três trens de uma das transportadoras já acumularam mais de R$ 33 mil em despesas de armazenagem no Porto Seco. Outro veículo, pertencente a uma segunda empresa, soma R$ 9,4 mil em custos.

“O que esperávamos era um diálogo. Se houvesse algum problema, pensamos em buscar uma solução. Em vez disso, as dificuldades aumentam e os empresários acumulam prejuízos financeiros e também danos à negociação”, afirmou o advogado.

Segundo ele, uma das clientes, empresária do interior de Mato Grosso do Sul, enfrentou dificuldades para honrar parcelas de um financiamento contratado para aquisição de madeira, que continua sem previsão de entrega ao comprador.

No último dia 10, o Notícias Campo Grande revelou que os testes químicos preliminares realizados pela Polícia Federal em Corumbá também tiveram resultado negativo para cocaína. Entretanto, a confirmação definitiva depende do laudo pericial produzido em Brasília, ainda sem prazo para conclusão.

Documento da polícia boliviana reforça que não há cocaína em apreensão record
Teste de Scott indicou resultado negativo para cocaína em madeira (Foto: Direto das Ruas)
Documento da polícia boliviana reforça que não há cocaína em apreensão record
Caminhões foram retidos durante operação que investiga esquema de ocultação de cocaína em cargas de madeira (Foto: divulgação)

Em 21 de junho, a Receita Federal divulgou a apreensão de 260 toneladas de madeira em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso sob suspeita de estarem impregnadas com cocaína líquida. Segundo o órgão, a ação integra a Operação Timber Shield, realizada em parceria com autoridades do Brasil, dos Estados Unidos e da Bolívia para investigar uma técnica de tráfico que utiliza a madeira como meio para ocultar o entorpecente.

Depois que os primeiros testes químicos tiveram resultado negativo para cocaína, a Polícia Federal solicita o envio de um perito de Brasília para a realização de exames mais aprofundados na carga. O servidor chegou a Corumbá no dia 26 de junho para coletar novas amostras. Até a publicação desta matéria, o laudo pericial definitivo ainda não havia sido concluído.

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