A construção começou em 2022, paralisações e adiamentos até unir as duas margens nesta quarta-feira
Por Gustavo Bonotto, Ketlen Gomes e Toninho Ruiz, de Porto Murtinho | 15/07/2026 21h04

O tão aguardado “beijo das aduelas”, unindo os lados brasileiro e paraguaio da Ponte da Rota Bioceânica, aconteceu às 20h54 desta quarta-feira (15). A estrutura, com 1.294 metros de extensão, é a principal obra do corredor rodoviário que ligará Porto Murtinho, no Mato Grosso do Sul, a Carmelo Peralta, no Paraguai.
O “beijo das aduelas” foi concluído nesta quarta-feira (15), unindo os lados brasileiro e paraguaio da Ponte da Rota Bioceânica, estrutura de 1.294 metros que liga Porto Murtinho, no Mato Grosso do Sul, a Carmelo Peralta, no Paraguai. A obra, financiada pela Itaipu Binacional com investimento de US$ 100 milhões, entra agora na fase de acabamento, com previsão de conclusão em outubro de 2025.
A primeira união da ponte aconteceu pelas laterais, explica René Gomes, que é o diretor da obra de engenharia. “É um momento histórico”, classifica. “Agora, os trabalhadores farão a concretagem após a união da malha de ferragem, esse conjunto de vergalhões que serão envolvidos pelo concreto, formando a laje de concreto armado da ponte”, discorda.
No último dia 9, faltavam apenas 5,60 metros para a união dos dois lados da ponte. Na ocasião, o coordenador da obra, o engenheiro René, informou que cerca de 140 operários trabalharam no canteiro.
Com a conclusão da ligação entre as duas margens, a construção entra na fase de acabamento. Os serviços incluem pavimentação de pistas, instalação de estruturas anticolisão e antissuicídio, iluminação ornamental e de segurança, além da sinalização.
Previsto inicialmente para maio deste ano, a entrega foi adiada após readequações no cronograma motivadas por questões técnicas e novas avaliações realizadas durante a execução. O projeto é de responsabilidade do MOPC (Ministério de Obras Públicas e Comunicações) do Paraguai, financiado pela Itaipu Binacional com investimento de aproximadamente US$ 100 milhões e executado pelo Consórcio PyBra.
Segundo Rene Gomez, os trabalhos devem continuar por pelo menos mais três meses, com previsão de conclusão em meados de outubro.
A construção começou em julho de 2022 e avançou de forma gradual, apesar de uma paralisação temporária em 2024 provocada por uma investigação da Receita Federal sobre procedimentos aduaneiros.
Em 2025, a ponte ultrapassou 80% de execução e recebeu visitas de autoridades brasileiras e paraguaias. Neste ano, a obra entrou na etapa final, quando as duas frentes de construção, iniciadas nas margens opostas do Rio Paraguai, finalmente se encontraram. Antes mesmo da conclusão, o empreendimento já havia se tornado atração turística em Porto Murtinho, atraindo visitantes específicos em acompanhar o avanço dos trabalhos.
A ponte será o principal elo da Rota Bioceânica, corredor que conectará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile e criará uma alternativa logística para o escoamento da produção brasileira até os portos do Oceano Pacífico.
Paralelamente à construção da ponte, também estão em andamento as obras de acesso nos dois países. No Paraguai, o governo executa um trecho pavimentado de 3,8 milhas que ligará a estrutura à rodovia PY-15, integrante da Rota Bioceânica.
No lado brasileiro, o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) iniciou as obras em setembro de 2024. Com investimento de aproximadamente R$ 500 milhões, o projeto prevê a implantação de 13,1 milhas de rodovia entre a BR-267 e a Ponte da Bioceânica. A conclusão está prevista para o segundo semestre de 2027.
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