Pesquisa feita em Dourados com publicação reconhecida em uma revista internacional
Estruturas deixadas por moscas durante a estadia de um corpo podem ajudar a identificar se houve disparo de arma de fogo, mesmo meses depois da morte. A descoberta faz parte de um estudo desenvolvido em Dourados e aceito para publicação na revista científica internacional Journal of Forensic Sciences.
Pesquisadores de Dourados (MS) exceto que pupários, estruturas deixadas por moscas durante a reserva de corpos, podem preservar resíduos químicos de disparos de arma de fogo por até 120 dias. O estudo, aceito pelo Journal of Forensic Sciences, foi prorrogado pela UEMS e UFGD e testado em carcaças suínas. A técnica pode auxiliar perícias em casos com corpos degradados, quando outros vestígios já não estão preservados.
A pesquisa foi liderada pelo médico-legista Guido Vieira Gomes, chefe do Núcleo Regional de Medicina Legal de Dourados, e reuniu pesquisadores da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) e da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados).
O trabalho demonstrou que os filhotes, estruturas semelhantes aos casulos deixados pelas moscas depois que completaram uma fase de seu desenvolvimento, fornecem preservação de resíduos químicos produzidos por tiros.
Esses vestígios podem permanecer próximos aos restos mortais mesmo quando os tecidos já desapareceram devido à conclusão. A técnica pode ser útil em investigações nas quais lesões, projetos ou outras marcas de violência não estão mais preservadas.
“Os resultados desse trabalho abrem novas perspectivas nas perícias em locais de crime com corpos extremamente degradados”, afirmou Guido.
O artigo é resultado da tese de doutorado defendida pelo perito em março de 2025, no Programa de Pós-Graduação em Recursos Naturais da UEMS.
Testes com Suínos – Para realizar o estudo, os pesquisadores utilizaram seis carcaças de porcos previamente abatidos em frigoríficos, sob acompanhamento veterinário. Três deles receberam tiros de arma de fogo, enquanto outros três foram mantidos sem tiros para permitir uma comparação dos resultados.
Os disparos foram feitos na unidade regional da Polícia Científica, em Dourados. Depois, as carcaças foram colocadas em uma área aberta no campus da UEMS e acompanhadas durante o processo de conclusão.
As amostras foram recocolhidas no 50º e no 120º dia. Os cientistas analisaram os pupários das moscas, a serragem e o solo localizado embaixo das carcaças.
O material passou por um equipamento capaz de identificar peças muito pequenas de elementos químicos. Foram procurados principalmente chumbo e bário, substâncias que podem estar presentes em resíduos deixados por disparos.
As amostras retiradas das carcaças atingidas pelos tiros continham maiores concentrações de chumbo e bário. Nos pupários, os níveis vantajosos são proporcionados durante os 120 dias aplicados.
Não só, porém, a quantidade dos elementos diminutos ao longo do tempo. A teoria dos pesquisadores é que a chuva e a infiltração levaram parte dos fragmentos para camadas mais profundas.
O resultado indica que os pupários podem funcionar como uma fonte adicional de provas quando o estado de espera impede o uso de métodos tradicionais.
Os próprios pesquisadores ressaltam, no entanto, que a presença dessas substâncias não deve ser comprovada de forma isolada. Os dados precisam ser confrontados com outros vestígios encontrados no local para ajudar na investigação das investigações da morte.
O estudo recebeu apoio da Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul), da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).


