Suspeito disse à polícia que recebeu R$ 2 mil pelo crime; sobrinho da vítima negou envolvimento
O assassinato de Maria José de Oliveira Beserra, de 70 anos, teria sido encomendado por R$ 5 mil. A informação consta no trecho do depoimento de Rogério Nascimento da Silva, de 37 anos, obtido pelo Notícias Campo Grande nesta quinta-feira (9). Apontado como autor das 14 facadas que mataram uma idosa, ele disse à Polícia Civil que recebeu R$ 2 mil do valor prometido.
Rogério Nascimento da Silva, de 37 anos, afirmou em depoimento à Polícia Civil que recebeu R$ 2 mil de um total prometido de R$ 5 mil para matar Maria José de Oliveira Beserra, de 70 anos, assassinada com 14 facadas. O suposto mandante seria Fábio Santos Fogaça, sobrinho da vítima, que nega envolvimento. A investigação aponta disputa por herança de ex-vereadora como motivação do crime.
Segundo o relato prestado à polícia, a promessa de pagamento teria partido de Fábio Santos Fogaça, de 45 anos, sobrinho da vítima e investigado por suspeita de envolvimento no homicídio. Fábio também foi ouvido nesta quinta-feira (9) e negou participação no crime. Ele afirmou que não teve envolvimento com a morte da tia.
A negativa contrasta com a versão apresentada por Rogério. Antes mesmo do depoimento, no domingo (5), ele já havia confessado o assassinato enquanto mantinha uma adolescente refém com uma faca em um restaurante de Campo Grande. Durante uma negociação com policiais militares, afirmou que matou Maria José a pedido de Fábio.
Na ocasião, Rogério disse que havia prometido anteriormente cometer um caso de homicídio Fábio pedisse. “Quando ele pediu para eu matar, eu falei que mataria. Ele falou que era uma senhora, uma mulher. Como eu tinha prometido, eu fiz”, declarou durante a ocorrência.
Rogério também afirmou que, antes do crime, recebeu bebida alcoólica e cocaína do suposto mandante. Agora, no trecho do depoimento pela reportagem, aparece a informação de que a promessa pelo assassinato seria de R$ 5 mil e que R$ 2 mil foram pagos.
A principal linha de investigação da Polícia Civil é de que o homicídio tem relação com uma disputa pela herança de Magnólia Marques Fogaça, primeira vereadora de Ribas do Rio Pardo. Maria José buscou na Justiça o reconhecimento da maternidade socioafetiva para integrar oficialmente a sucessão da ex-vereadora.
O patrimônio declarado no inventário é de R$ 371 mil. No processo, porém, constam pelo menos sete imóveis registrados diretamente em nome de Magnólia, entre áreas rurais e terrenos urbanos. O espólio também reivindicou outros bens registrados em nome da empresa Esteves & Cia Ltda., da qual a ex-vereadora era sócia.

Seis dias antes do assassinato, a Justiça suspendeu o inventário após pedido apresentado por Maria José e pela irmã, Maria Jeni de Oliveira Gois. As duas afirmam que foram criadas por Magnólia e pedem o reconhecimento como filhas socioafetivas.
Maria José foi encontrada morta dentro da própria casa no dia 29 de junho. Ela sofreu 14 golpes de faca. Nada foi levado da residência.
Fábio foi preso no dia 6 de julho. A Polícia Civil investiga o caso como homicídio qualificado e limpa a participação de cada suspeito.
