
Recuperar uma motocicleta furtada ou roubada nem sempre significa recebê-la novamente em condições de uso. Parte dos veículos e componentes acumulados no pátio da Defurv (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Furtos e Roubos de Veículos), em Campo Grande, permanece no local porque os próprios donos compartilham que não vale a pena pagar pelo conserto e pela regularização.
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul publicou edital com prazo de 30 dias para que proprietários reivindiquem 82 motocicletas, motos e peças retidas no pátio da Defurv, em Campo Grande, antes da alienação judicial. Dos itens, apenas 17 são veículos completos. Os demais são componentes em estado ruim de conservação. Após o prazo, os bens serão encaminhados a leilão eletrônico credenciado pelo TJMS.
A explicação foi apresentada pela PCMS (Polícia Civil de Mato Grosso do Sul) nesta segunda-feira (20), após a publicação de um edital que concede prazo de 30 dias para proprietários reivindiquem 82 motocicletas, motos e peças antes do encaminhamento para alienação judicial.
Segundo a instituição, é comum que apenas uma parte do veículo seja recuperada. Em alguns casos, a polícia localiza apenas o bloco do motor, enquanto o restante da motocicleta continua desaparecido.
“Nesses casos, a vítima frequentemente opta por não exigir a restituição, pois o componente isolado não possui utilidade prática sem o restante do veículo”, informou a Polícia Civil.
Também há situações em que os gastos com reparos, documentação e regularização ultrapassam o valor de mercado do próprio bem. Pendências administrativas ou judiciais também podem afastar os proprietários.
Dos 82 itens relacionados no edital, apenas 17 são veículos completos. Os outros 65 são chassis, blocos de motores, câmbios, tanques, rodas, escapamentos e outros componentes. Todos foram classificados como em estado de conservação de ruim.
A Polícia Civil explicou que os bens ao pátio em condições diferentes. A maioria, conforme o edital, já estava em estado de sucata quando foi incluída na lista para alienação.
Há motocicletas e peças apreendidas após acidentes, incêndios, desmanches ou situações de abandono. Em outros casos, a exposição prolongada ao sol, à chuva e a outras condições climáticas contribuíram para a cobertura.
A instituição, no entanto, não informou quantos bens já danificados e quantos perdas de valor enquanto protegidos no pátio. Os itens há mais de seis meses no local sem serem reclamados por proprietários ou por terceiros particulares.
O edital foi publicado para liberar espaço e reduzir o acúmulo de materiais apreendidos nas delegacias. Segundo a Polícia Civil, a retirada faz parte das ações previstas na Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), que estabelece metas para a gestão dos pátios policiais.
A instituição também abriu a possibilidade de que a lista representasse uma onda recente de furtos ou de abandono de motocicletas. Os bens são provenientes de diferentes investigações e foram acumulados ao longo de vários períodos.
Os proprietários ainda podem solicitar a restituição no prazo de 30 dias contados a partir da publicação do edital. Para isso, é necessário comprovar o direito sobre o veículo ou componente e quitar subsídios eventuais.
Após o encerramento do prazo, os itens serão entregues a um leiloeiro oficial credenciado pelo TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) para alienação judicial eletrônica.
Ainda não foram divulgados os dados do leilão, as regras de participação nem os valores mínimos dos lotes. A Polícia Civil também não autorizou que fossem feitas imagens no local onde estão as motocicletas.