Um casal resgatou uma arara-canindé que havia sido atropelada em uma rodovia de Dourados, no Mato Grosso do Sul, no último sábado (12). A influenciada Gabriella Conde e o marido retiraram-se da avenida da pista e, ao perceberem sua recuperação, a soltaram na vegetação próxima. A bióloga Larissa Tinoco orientou que, em casos de dúvida, o correto é procurar a Polícia Militar Ambiental ou o Cras, e jamais levar animais silvestres para casa.

A cena que muitos motoristas têm em encontrar nas estradas de Mato Grosso do Sul apareceu diante de um casal que seguiu por uma rodovia em Campo Grande no último sábado (12). Uma arara-canindé, uma das aves mais emblemáticas do Pantanal, caiu próxima à pista, aparentemente desorientada após ser atingida por um veículo.

Temendo que ela fosse atropelada novamente, a influenciada Gabriella Conde e o marido pararam o carro e retiraram o animal da área de risco. O momento foi registrado em vídeo e compartilhado nas redes sociais, onde rapidamente chamou a atenção de milhares de pessoas.

“Um carro parou na nossa frente com o alerta ligado e meu marido viu na hora que era uma arara. Ele não pensou duas vezes e já pegou ela. Nossa intenção era levar para o Cras”, contou Gabriella ao Notícias Campo Grande.

Segundo ela, a ave estava bastante abatida quando foi colocada no veículo.

“Ela estava bem tonta, ficou quietinha no meu colo. A gente acreditava que poderia ter sido atingida por uma carreta ou algum outro veículo. Fiquei preocupado porque ela estava no meio da rodovia”, relatou.

Durante a trajetória, porém, a situação começou a mudar. A arara voltou a reagir, abriu as asas e estará recuperando os movimentos.

“Ela acordou e começou a abrir as asas. Tio que desceu ela do carro para não se machucar. Quando tentamos pegar novamente, ela já estava bem e avançou. Colocamos ela mais para dentro da vegetação e ela logo voou”, disse.

A decisão de soltar ave gerou dúvidas entre seguidores, que questionaram se o correto não seria encaminhá-la para atendimento especializado.

Para esclarecer a situação, a reportagem conversou com a bióloga Larissa Tinoco, doutora em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional e pesquisadora do Instituto Arara Azul. Segundo ela, o primeiro passo em situações semelhantes é retirar o animal da área de risco e buscar orientação.

“O ideal é tirar o animal da rodovia, ligar e pedir orientação. Caso não consiga, pode levar até o primeiro posto da Polícia Rodoviária Federal. Se estiver perto da cidade e para possível, também pode encaminhar ao Cras”, explicou.

Um especialista afirma que, no caso registrado em Dourados, a decisão tomada pelo casal foi adequada diante da recuperação pela ave.

“Eles perceberam que ela estava melhorando e retomando a capacidade de voo. Neste caso, a solução foi correta. Mas nem todo mundo consegue fazer essa avaliação. Por isso, sempre que houver dúvida, o ideal é buscar orientação especializada”, afirmou.

Larissa explica que sinais como sangramentos, lesões aparentes ou suspeitas de fraturas indicam necessidade de resgate e encaminhamento para atendimento.

Ela também lembra que existe uma confusão frequente sobre a atuação dos órgãos ambientais. Embora o Cras (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres) seja o local que recebe os animais, a PMA (Polícia Militar Ambiental) normalmente faz o recolhimento.

“O Cras não faz o recolhimento. Quem realiza esse trabalho é a PMA. O Cras recebe os animais para atendimento. Nós, do Instituto Arara Azul, também podemos orientar e ajudar a analisar a situação para indicar qual é o melhor procedimento”, explicou.

A recomendação mais importante, segundo a pesquisadora, é que o animal jamais seja levado para casa.

“O que não pode ser feito de jeito nenhum é levar um animal silvestre para casa. Em caso de dúvida, a orientação é procurar os órgãos responsáveis ​​ou pedir orientação especializada”, reforçou.

Criada em fazenda e acostumada ao contato com a fauna sul-mato-grossense, Gabriella afirma que ajudar foi uma ocorrência instintiva.

“Minha família sempre ensinou a cuidar e amar os animais. Acho que quem cresce em Mato Grosso do Sul aprende desde cedo a respeitar esses bichinhos. Quando vimos a arara nessa situação, não pensamos duas vezes em parar”, afirmou.

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