Em março deste ano, foi preso pela execução do tributário fiscal aposentado Roberto Carlos Mazzini

A comunicação sempre foi determinante na trajetória do ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernalque morreu na madrugada desta segunda-feira (13), aos 60 anos, na véspera de seu aniversário.
Alcides Bernal, ex-prefeito de Campo Grande, morreu na madrugada desta segunda-feira (13), aos 60 anos. Radialista elogiado, sua popularidade o levou ao Paço Municipal em 2012, mas a falta de diálogo com a Câmara resultou em sua cassação em 2014. Sua trajetória terminou de forma trágica, após matar a tiros o tributário fiscal Roberto Carlos Mazzini, em março deste ano.
Foi considerado por muitos um dos melhores radialistas de Campo Grande, o que possibilitou uma forte conexão com a população e garantiu uma longa carreira no Legislativo, como vereador e deputado estadual. Mas, quando chegou ao Paço Municipal, em 2012, fechou-se ao diálogo com a classe política, o que culminou na sua cassação, em 2014.
No dia da sua morte, quem conviveu com ele ainda lamentou o fim trágico, após o envolvimento do ex-prefeito com o assassinato do tributário fiscal aposentado Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, morto a tiros por Bernal em março deste ano, em um imóvel no Jardim dos Estados, em Campo Grande.
O diretor da Rede MS de Rádio e Televisão, Ulisses Serra Netto, conhecido como Noninho, se limitou a falar sobre os 18 anos de Bernal na FM Cidade 97. “O Alcides, como locutor, foi exemplar, um dos melhores que eu tive”, disse.
Ele lembrou que Bernal começou a trabalhar nas madrugadas, na Rádio Ativa, que também fazia parte do grupo. Na sequência, casou-se com o programa Refazenda. “Teve uma trajetória muito rápida, sempre liderando a audiência. Tecnicamente impecável”, completou.
O ex-vereador Paulo Pedra foi um dos seis parlamentares que votaram contra a cassação de Bernal na Câmara Municipal. Ele lembra que, quando o nome do locutor surgiu na disputa majoritária, foi seu perfil de um “líder popular” que chamou a atenção dos participantes.
“Ele foi um dos melhores, talvez o melhor radialista que já tivemos em Campo Grande. Isso fez com que ele se aproximasse dos candidatos, ele foi para as bases e essa conexão o sistema não conseguiu apagar”, avaliou.
A candidatura foi considerada de estilo “azarão”, termo usado no turfe para quem tem baixa probabilidade de vitória. O cenário político era de hegemonia do então PMDB (atual MDB), mas o candidato do PP se sagrou campeão no segundo turno. Sem aliados, lançaram chapa pura, contra outros seis adversários.
Porém, segundo ele, ao assumir a administração, “faltou maturidade e, por causa disso, foi cassado”. Pedra chegou ao primeiro escalonamento de Bernal, quando ele voltou à Prefeitura para encerrar o mandato. “Ele voltou, fez uma administração boa, mas perdeu a conexão. Tentei fazer o que fosse possível”, disse. Pedra ainda lamentou o último capítulo da história de Bernal. “Mostrou, da parte dele, um desequilíbrio”, finalizou.
O deputado estadual Zeca do PT ocupou uma cadeira na Câmara Municipal em 2012 e também votou contra a cassação de Bernal. O parlamentar avalia que a falta de diálogo foi o maior problema de gestão.
“Bernal foi vítima da incapacidade absoluta dele de dialogar, de conversar com a Câmara, de negociar. Eu avisei ele disso, eu falei: ‘Bernal, está errado, o processo exige diálogo, conversação, você tem que dialogar com a Câmara, buscar o entendimento’. Acho que ele foi vítima disso, foi criando um grau de radicalismo na Câmara que foi impossível depois contornar”, relatou.
O petista ainda citou a pressão de que o ex-prefeito sofreu as lideranças políticas que dominam o cenário sul-mato-grossense e lamentou a tragédia no fim da vida. “Fico sentido com a morte do Bernal, uma figura importante. Cometeu o crime e tinha que cumprir, mas não imaginava que seu fim seria tão trágico”, completou.
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