Mineradora informa à CVM que não fará transportes; empresa da J&F mantém plano de expansão em MS
A Vale informou nesta terça-feira (14), em comunicado enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que realizou novos investimentos relacionados ao ativo de minério de ferro localizado em Corumbá. A manifestação foi feita após a circulação de notícias sobre uma possível reavaliação do empreendimento vendido pela companhia em 2022.
A Vale informou à CVM que descartou novos investimentos no ativo de minério de ferro em Corumbá, após análise técnica, econômica e financeira. A decisão ocorre quatro anos após a venda da Mineração Corumbaense Reunida ao grupo J&F, que criou a LHG Mining. A empresa segue com plano de expansão para aumentar a produção de 2 milhões para 25 milhões de toneladas até 2029 e ampliar a frota e a logística de exportação.
No comunicado, a mineradora afirma que há regularmente oportunidades de investimento em investimentos direcionados às suas prioridades estratégicas, mas esclarece que, após análise técnica, econômica e financeira, decidiu não obrigações com qualquer aporte relacionado às minas de minério de ferro em Corumbá.
“A Companhia avaliou a oportunidade e descartou qualquer investimento relacionado ao ativo de minério de ferro localizado em Corumbá”, informou a Vale, acrescentando que continuará comunicando ao mercado qualquer fato relevante envolvendo seus negócios.
A decisão ocorre quatro anos após a venda da MCR (Mineração Corumbaense Reunida) ao grupo J&F. A operação deu origem à LHG Mining, empresa criada em 2022 para administrar os ativos de mineração adquiridos da Vale em Mato Grosso do Sul.
Enquanto a antiga controladora descartava novos investimentos no ativo, a LHG Mining segue executando um plano de expansão para ampliar significativamente a produção em Corumbá. A empresa pretende aumentar a produção de minérios de ferro e manganês dos 2 milhões de toneladas anuais registradas quando assumiu a operação para 25 milhões de toneladas em 2029, um crescimento de 1.150%. Atualmente, a produção já alcança cerca de 13 milhões de toneladas por ano.
O plano de expansão inclui investimentos em caminhões, escavadeiras, equipamentos de beneficiamento mineral e melhorias na logística de escoamento, entre eles a implantação de um novo berço de atração no Terminal Privativo Gregório Curvo, na Hidrovia do Paraguai.
Segundo o diretor-geral de Navegação da LHG Mining, Iclair Macarello, cerca de 2,5 milhões de toneladas de produção anual permanecem no mercado brasileiro, enquanto o restante segue para exportação. O minério é transportado pela Hidrovia do Paraguai até o Uruguai, onde é transferido de barcaças para navios do tipo Panamax e, posteriormente, para embarcações Capesize, que atendem mercados da China e da Europa.
A expansão também envolve o reforço da estrutura logística da empresa. Quando assumiu a operação, a LHG Mining possuía 18 rebocadores e 252 barcaças. Atualmente, a frota já recebeu outros 10 rebocadores e 41 barcaças, enquanto 21 rebocadores e 400 barcaças estão em construção. A expectativa é alcançar, em 2028, uma frota de 49 rebocadores e aproximadamente 700 embarcações, sustentando o aumento previsto da produção e das exportações de minério de ferro a partir de Corumbá.
