Problema pode afetar a autoestima, mas tem tratamento e nem sempre está ligado à higiene

Nem toda subaqueira é falta de banho: a influência da alimentação
Mesmo com troca de desodorante, tem gente que continua com mal cheiro. (Foto: Freepik)

Tomar banho todos os dias, usar desodorante e ainda assim sofrer com o famoso “cecê”. A situação é mais comum do que parece e nem sempre está ligada à falta de higiene. Em muitos casos, o mau cheiro nas axilas tem relação com a ação de bactérias na pele e até com o que vai parar no prato.

Segundo a dermatologista Maíra Machado, uma das principais confusões é acreditar que todo mau odor está relacionado ao excesso de suor. Na verdade, existem duas condições diferentes: a hiperidrose, caracterizada pela transpiração excessiva, e a bromidrose, que é o odor forte causado pela decomposição do suor por bactérias e fungos presentes na pele.

“Uma pessoa pode suar muito e não ter odor nenhum. Da mesma forma, alguém pode transpirar um pouco e apresentar um cheiro forte. As duas condições podem acontecer juntas, mas são problemas diferentes e desativar tratamentos diferentes”, explica.

A médica destaca que o suor produzido pelo corpo é praticamente sem cheiro. O odor aparece quando microrganismos que vivem naturalmente na pele metabolizam esse suor e liberam substâncias responsáveis ​​pelo conhecido “cecê”. Por isso, o problema não pode ser resolvido apenas à higiene.

“As causas da hiperidrose costumam ser hormonais, psicológicas ou fisiológicas. Já a bromidrose está mais associada à colonização por microrganismos, uso de certos medicamentos, alimentação e tabagismo”, destaca.

Além das bactérias, alguns hábitos também podem influenciar o cheiro corporal. “Alguns alimentos, como alho e cebola, também podem alterar o odor corporal. Ou seja, é bem comum eu ver na clínica pacientes com ótima rotina de higiene que mesmo assim sofrem com o problema”, pontua.

Quando o cheiro persiste mesmo após banhos frequentes, troca de desodorante e outros cuidados, o recomendado é procurar um dermatologista. Segundo o especialista, insistir apenas em soluções caseiras costuma gerar frustração e pode até afetar a autoestima e a vida social da pessoa.

O tratamento depende da causa. Por isso, o primeiro passo é identificar se o paciente apresenta hiperidrose, bromidrose ou as duas condições ao mesmo tempo. A partir desse diagnóstico, podem ser indicados desodorantes específicos, antibióticos ou orais e até aplicação de toxina botulínica para controlar o suor excessivo.

A médica também chama atenção para a roupa, um detalhe que passa desesperado por muita gente. Se uma camiseta continua com cheiro forte mesmo depois de lavada, ela pode ser colonizada por microrganismos responsáveis ​​pelo mau odor. Nesses casos, a substituição da peça pode ser a melhor solução.

“Tecidos de algodão costumam ser mais indicados que sintéticos, porque favorecem menos a terapia de bactérias”, afirma. Para pessoas mais sensíveis, reduzir o consumo de alimentos como alho e cebola também pode ajudar a diminuir o cheiro corporal.

“Na maioria dos casos existe tratamento. O importante é saber que nem sempre há falta de banho e que procurar ajuda médica pode fazer toda a diferença”, finaliza.

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