
Há quem diga que, depois de décadas de casamento, já não existem muitas novidades. Mas para dois casais que participaram da Corrida do Sesc nos Bairros na manhã deste domingo (19), bastou um par de tênis para descobrir um novo programa a dois.
Os filhos deram o primeiro empurrão. Eles aceitaram o desafio. Hoje dividem caminhadas, corridas e até fins de semana viajando para participar de provas.
Enildo de Paula, de 69 anos, e Eliza Ferreira, de 68, estão casados há 42 anos. Na linha de chegada, praticamente juntos, cada um respeitando o ritmo do outro.
Foi a filha, professora de Educação Física, quem convenceu os dois a entrar nesse universo. “Voluntariamente, mas fui incentivado pela minha filha. Ela é professora de educação física. Corremos ontem em Sidrolândia e hoje já inventou uma corrida nova.”
A disposição não falta. Para Eliza, uma mudança começou por uma necessidade de saúde. “Minha filha também. Minha filha também enviou ontem, lá em Sidrolândia. Eu comecei a correr por motivo de saúde, hipertensão, diabetes. Agora, graças a Deus, está tudo controlado.”
Apesar de participarem sempre das mesmas provas, ela admite que acompanhar o marido não é tarefa fácil. “Não, não dá pra acompanhar que ele vai mais rápido que eu. Ele treina todo dia.”
Enquanto prefere a academia, Enildo retoma uma rotina com bom humor. “A minha academia é corrida.”

Quase meio século correndo lado a lado
Poucos metros depois chegaram Jussara Paim, de 67 anos, e Rito Dias, de 70. Eles completaram 48 anos de casamento e também transformaram a corrida em programa de casal.
Tudo começou há pouco mais de um ano, novamente por incentivo dos filhos. “Minha filha e meu filho incentivou a gente pra fazer a atividade e começar a caminhar. A gente começou em maio. A primeira foi a do Banco do Brasil ano passado. Começamos e de lá pra cá não paramos mais. Caminhada e corrida, na verdade caminhamos mais, mas ainda damos uns pique que é bom. Nossa, fica tudo tremendo. Mas é gostoso! Ele corre mais do que eu!”
Na prova deste domingo, o vento foi assunto entre praticamente todos os corredores. “Foi bom, foi esse ventão contra atrapalhar um pouco, mas foi muito bom”, contou Jussara.
Rito entrou na brincadeira. “Muito bom, muito bom! Tem que remar contra o vento, essa é a verdade. Mas foi de boa. Aumenta um pouquinho a respiração, a hora diminui, mas dá para chegar.”
Assim como no casamento, a corrida também é feita em parceria. Quando um acelerador demais, espere o outro. “É, é o mesmo pico que a gente corre.”
Jussara completa: “Às vezes ele vai um pouquinho na frente, dá uma maneira, uma espera. E a gente está sempre junto”, finaliza.