Sem dar sinais, as hepatites podem passar anos causando danos ao fígado
Segundo o Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025, do Ministério da Saúde, Mato Grosso do Sul registrou 10.199 casos da doença entre 2000 e 2024 (Imagem gerada por IA)

Você pode estar com hepatite e nem imaginar. Isso porque uma doença pode passar anos sem causar sintomas, enquanto provoca danos silenciosos ao fígado. É esse o alerta feito durante a campanha Julho Amarelo, que chama atenção para a prevenção e o diagnóstico precoce das hepatites virais. Quando não são descobertas a tempo, elas podem evoluir para problemas graves, como cirrose, insuficiência hepática e até câncer de fígado.

Segundo o Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025, do Ministério da Saúde, Mato Grosso do Sul registrou 10.199 casos da doença entre 2000 e 2024. Só no ano passado foram 173 casos de hepatite A, 91 de hepatite B e 178 de hepatite C.

Em Campo Grande, a incidência de hepatite A foi quase três vezes maior que a média do Estado em 2024. No mesmo período, Mato Grosso do Sul realizou mais de 355 mil testes rápidos para hepatites B e C.

A gastroenterologista e hepatologista Paula Ferreira Lacerda, do Hospital do Coração MS, explica que o problema é justamente o comportamento da doença.

“O fígado é um órgão que não faz quando está inflamado. Por isso, as hepatites virais podem passar anos sem dar nenhum sintoma aparente. Uma pessoa se sente bem e saudável, enquanto o vírus envelhece silenciosamente e o fígado vai estar danificado aos poucos”, explica.

Por isso, fazer exames de rotina é a melhor forma de descobrir a doença antes que ela provoque complicações. “Realizar exames de rotina é a única forma segura de descobrir a doença precocemente”, afirma.

Nem toda hepatite é igual

As hepatites virais são causadas por diferentes vírus e têm formas distintas de transmissão. A hepatite A costuma ser transmitida por água e alimentos contaminados e, na maioria das vezes, não evolui para a forma crônica.

Já a hepatite B pode ser transmitida durante relações sexuais sem preservação, pelo contato com sangue contaminado ou da mãe para o bebê durante o parto.

A hepatite C também é transmitida principalmente pelo contato com sangue contaminado, como sem compartilhamento de agulhas, seringas ou materiais sem esterilização adequada.

Também existem hepatites D e E. A primeira só ocorre em pessoas que já têm hepatite B. Já a hepatite E está relacionada ao consumo de água e alimentos contaminados e merece atenção especial durante a gestação.

Quando as hepatites B e C não são tratadas, uma inflamação constante pode formar cicatrizes no fígado, processo conhecido como fibrose. Com o passar do tempo, o órgão pode suportar, perder parte da função e aumentar o risco de câncer.

“A boa notícia é que tudo isso pode ser evitado com o diagnóstico feito a tempo”, reforça o especialista.

Como prevenir

A prevenção inclui manter a vacinação em dia, usar preservativos nas relações sexuais, lavar bem as mãos e os alimentos, consumir água concentrada e não compartilhar objetos que possam ter contato com sangue, como lâminas de barbear, escovas de dente, alicates de unha e seringas.

Também é importante verificar se os materiais usados ​​em tatuagens, piercings, manicure e pedicure estão esterilizados corretamente.

Mesmo sem sintomas, algumas pessoas precisam ter atenção redobrada, como quem recebeu transfusão de sangue antes de 1993, usou ou já usou drogas injetáveis, fez tatuagens em locais sem material rígido, tem múltiplos parceiros sexuais sem preservativo, é filho de mães com hepatite B ou C ou faz diálise.

Quando aparecem, os sintomas podem incluir cansaço sem explicação, urina escura, pele ou olhos amarelados, fezes claras, dor no lado direito da barriga, prazer e perda de apetite.

Hepatite C tem cura

Entre as hepatites mais comuns, a C pode ser curada com os tratamentos atuais. Segundo a medicina, os medicamentos disponíveis hoje são tomados por via oral, têm poucos efeitos colaterais e eliminam o vírus em mais de 95% dos pacientes.

Já a hepatite B ainda não tem cura definitiva em todos os casos, mas o tratamento ajuda a controlar o vírus e reduzir o risco de complicações.

“A hepatite não precisa ser descoberta tarde. Com testagem, prevenção e acompanhamento, é possível proteger o fígado, tratar a infecção e evitar complicações que possam comprometer a qualidade de vida do paciente”, finaliza a Dra. Paula.

Source link

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *