Aumento da violência leva famílias a instalar câmeras, cercas e concertinas para se proteger

Onda de furtos no Universitário moradores assustados, que pensam em deixar o bairro
Moradores investem em câmeras, cercas e concertinas para tentar se proteger (Foto: Maya Severino)

Moradores do Bairro Universitário relatam viver uma rotina de medo diante da onda crescente de furtos e invasões em residências. Segundo eles, os crimes acontecem tanto durante a madrugada quanto em plena luz do dia, levando as famílias a fortalecer a segurança das casas e, em alguns casos, até a deixar o bairro.

Moradores do Bairro Universitário, em Campo Grande, relatam ondas crescentes de furtos e invasões residenciais, crimes que ocorrem tanto de madrugada quanto durante o dia. As famílias investem em câmeras, concertinas e cercas elétricas para se protegerem, enquanto algumas optam por deixar o bairro. Moradores apontam aumento de uso de drogas na região e ausência de policiamento ostensivo como agravantes da situação.

A aposentada Elenice Corrêa, moradora da Rua Augusto dos Anjos há seis meses, afirma que foi vítima de dois furtos desde que se mudou para a região. O primeiro aconteceu apenas 15 dias após a mudança e já sofreu prejuízo à família.

Segundo ela, os criminosos entraram na residência durante a madrugada, enquanto ela e o filho dormiam. Foram levados cerca de R$ 5 milhões em dinheiro, celulares, relógios, correntes de ouro e prata, ferramentas profissionais, eletrodomésticos, roupas, uma iluminação e outros objetos de valor.

“Eles até comeram tudo o que tinha na geladeira. Descobriram três copos sujos de leite ainda gelados, sinal de que tinham acabado de sair quando acordamos. Até hoje a gente não tem noção de tudo o que foi levado, vamos dando falta das coisas com o passar dos dias”, relata.

Onda de furtos no Universitário moradores assustados, que pensam em deixar o bairro
Elenice sente medo de permanecer na região (Foto: Maya Severino)

O episódio deixou marcas. Elenice contou que perdeu a tranquilidade e hoje sente medo de permanecer em casa. “Eu não durmo mais à noite. Durmo durante o dia. Tenho medo. Depois do roubo encontrei uma faca grande perto do quarto do meu filho. Fico pensando que, se tivéssemos acordado, poderíamos ter matado a gente”.

Ela afirma que não pretende permanecer no bairro. “Estou esperando meu irmão vender a casa dele, que está aqui ao lado. Depois vamos todos para o Jardim dos Estados. Lá é mais seguro. Não tem como continuar aqui”.

Questionada sobre o motivo de não ter registrado boletim de ocorrência, Elenice contou que acionou a polícia, mas a equipe demorou para chegar e informou que ela deveria comparecer à delegacia, na região central, para registrar o furto.

“Não fomos bem tratados, não deram a mínima quando acionamos a polícia. E não tinha como eu ir até lá, gastar com um Uber para receber o mesmo tratamento. Essas situações precisam de agilidade. Depois eles vendem tudo”.

Onda de furtos no Universitário moradores assustados, que pensam em deixar o bairro
Elenice vendeu a porta após o episódio (Foto: Maya Severino)

Após o ocorrido, a moradora reforçou a segurança da residência por medo de uma nova invasão. “Colocamos concertina, sensor de presença, câmeras e soldamos a porta. Tudo para não acontecer de novo, mas nada é garantido”.

Além dos furtos, ela relata o aumento da presença de usuários de drogas na vizinhança. Na manhã seguinte, uma brigada em frente à residência encontrou um cachimbo para consumo de crack e pedras de droga deixadas na calçada.

UM estudante Sueli Bezerra, de 52 anos, mora há cerca de dez anos no bairro e afirma que a sensação de insegurança aumentou nos últimos dois anos. Ela conta que um homem invadiu a casa da sogra, que mora em frente à sua residência, por volta das 10h. A vítima mora sozinha com uma filha enferma e só conseguiu evitar o crime porque descobriu a presença do invasor, que fugiu pulando o muro.

“Aqui é muito perigoso. Eu não saio nem no portão de casa à noite. Não ando pelas ruas do bairro, principalmente sozinho. A gente fica com medo o tempo inteiro. Não tem mais hora para essas coisas acontecerem”.

Na avaliação da moradora, a situação piorou após a instalação da Rodoviária de Campo Grande na região. “Depois que a rodoviária veio para cá ficou muito mais perigosa. Você anda pelas ruas e encontra muitos usuários de drogas e moradores de rua. A gente fica insegura”.

Onda de furtos no Universitário moradores assustados, que pensam em deixar o bairro
Sueli revela que a situação piorou após a instalação da Rodoviária de Campo Grande na região (Foto: Maya Severino)

Ela também reclama da falta de policiamento ostensivo.”Antigamente ainda passando viatura. Faz tempo que não vejo policiais por aqui. Precisava ter mais policiamento para, pelo menos, termos uma sensação de segurança”.

A cuidadora de idosos Rosângela Santana, de 51 anos, afirma que a violência se intensificou principalmente no último ano. Ela é proprietária de um imóvel na Rua Augusto dos Anjos e diz que os inquilinos tiveram a casa invadida três vezes em apenas um mês. “Está horrível. Segurança zero. Estou em um grupo do bairro com quase 300 moradores e praticamente todos os dias aparecem relatos de furtos”.

Segundo Rosângela, uma conhecida precisou mudar de casa após ter uma residência invadida duas vezes.”As pessoas entram para roubar qualquer coisa: comida, perfume, objetos. O trecho próximo à feira e à creche é um dos mais críticos”.

Ela afirma que muitos moradores passaram a investir em concertinas, câmeras e cercas elétricas para tentar reduzir os riscos. “Antes era tranquilo. Morei cinco anos naquela casa, que hoje está alugada, e nunca aconteceu nada. De um ano para cá a situação ficou absurdamente pior”.

Source link

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *