Brasília [Brazil]16 de julho (ANI): A administração do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou hoje que iniciará ações retaliatórias formais depois que os Estados Unidos impuseram tarifas de 25 por cento sobre produtos brasileiros, citando uma violação das regras comerciais multilaterais.

Em comunicado divulgado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República no dia X, o governo brasileiro ‘repudia formalmente a decisão anunciada hoje pelo governo dos EUA sobre a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, com base na Seção 301 do Trade Act de 1974’.

Abordando o impacto econômico, o governo brasileiro observou que os Estados Unidos têm mantido historicamente um superávit comercial significativo.

‘O governo brasileiro repudia a decisão anunciada hoje pelo governo dos EUA sobre a imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, com base na Seção 301 do Trade Act de 1974. Não há justificativa para medidas unilaterais contra nosso país. Segundo estatísticas do próprio governo dos EUA, os Estados Unidos acumularam um superávit de 424,5 bilhões de dólares em bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos’, dizia o comunicado.

A administração rejeitou a legitimidade da investigação dos EUA, argumentando que as medidas carecem de apoio nas regras comerciais multilaterais.

‘Em 2025, 76% das importações originárias dos Estados Unidos entraram no país sem pagar direitos de importação, e a taxa efetiva média aplicada aos produtos dos EUA foi de apenas 3,1%. O Brasil não reconhece a legitimidade de investigações sem respaldo nas regras multilaterais de comércio. Apesar disso, nunca saímos da mesa de negociações para defender os interesses nacionais”, afirmou.

“Durante o ano passado, o governo brasileiro agiu incansavelmente com o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para encerrar as investigações baseadas na Seção 301, apresentando evidências que refutam cada uma das alegações relativas a supostas práticas comerciais desleais adotadas pelo Brasil”, acrescentou.

Segundo o comunicado, o governo brasileiro “demonstrou que as acusações contra o PIX e a regulamentação das plataformas digitais são infundadas e as acusações sobre o desmatamento são absurdas”.

Em relação à sua política ambiental, o governo afirmou que “a partir de 2023, combatemos de forma incisiva os ilícitos ambientais e reduzimos drasticamente o desmatamento em todos os biomas brasileiros”.

‘Demonstramos que as denúncias contra o PIX e a regulamentação das plataformas digitais são infundadas e as denúncias sobre desmatamento são absurdas. O PIX é patrimônio da nossa gente e referência internacional em infraestrutura pública digital. No Brasil, não abdicaremos de proteger nossas famílias e nossos filhos contra a ganância de um punhado de tecnooligarcas. A liberdade de expressão não é um cheque em branco para a criminalidade. O mundo inteiro sabe que, a partir de 2023, combatemos de forma incisiva os ilícitos ambientais e reduzimos drasticamente o desmatamento em todos os biomas brasileiros”, dizia o comunicado.

O governo sinalizou que tomaria medidas imediatas para conter a medida.

“O governo do Brasil continuará a adotar medidas para reduzir os danos causados ​​à economia e à renda dos brasileiros”, afirmou a secretaria, observando planos para “iniciar imediatamente os procedimentos para ativar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará a questão no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC”.

O comunicado também assumiu uma posição firme contra a oposição política interna, alegando que a decisão dos EUA era “parte do complô construído com a colaboração activa da família Bolsonaro”, que caracterizou como “falsos patriotas que orquestraram e defenderam publicamente acções contra o nosso país”.

O governo concluiu reafirmando o seu compromisso com a soberania nacional: ‘Não se pode amar o Brasil só quando ganhamos eleições. Proteger a nossa soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e de todas as tendências. O governo brasileiro não vacilará no seu dever de preservá-lo’.

As suas observações surgem depois de o Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) ter anunciado uma tarifa de 25 por cento sobre certos bens importados do Brasil ao abrigo da Secção 301 da Lei Comercial de 1974, na sequência do que descreveu como uma investigação de um ano sobre as práticas comerciais do Brasil.

Os EUA concluíram que várias das políticas comerciais do Brasil são “irracionais e discriminatórias”, prejudicando significativamente a posição competitiva das empresas e trabalhadores americanos.

A investigação do USTR determinou que certas medidas brasileiras relacionadas ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, tarifas injustas e preferenciais, interferência anticorrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal não são razoáveis ​​e oneram ou restringem o comércio de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores americanos.

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) convocou duas audiências públicas, recebeu mais de 360 ​​comentários públicos e negociou intensamente com o governo brasileiro para buscar a resolução das preocupações dos EUA, conforme declaração do USTR.

“O USTR iniciou esta investigação sob a direção do presidente Trump, a fim de explorar práticas comerciais desleais do Brasil no que diz respeito ao comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais injustas para terceiros países, fiscalização anticorrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal”, disse Greer aos repórteres.

Espera-se que as tarifas afetem milhares de produtos de exportação brasileiros, embora vários produtos importantes tenham sido isentos. Produtos como carne bovina, café, terras raras e peças de aeronaves estão entre as isenções. (ANI)

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