Britânico, morador de Campo Grande, acompanha semifinal ao lado da filha e amigos na praça de alimentação

Acompanhado de brasileiros, inglês vive tensão por vaga na final da Copa
O britânico Nicholas Trimarco ao lado da filha Luara (Foto: Judson Marinho)

Na praça de alimentação de um supermercado de Campo Grande, não há camisas da seleção inglesa nem bandeiras tremendo. Ainda assim, a tensão é evidente. Cada lance da semifinal da Copa do Mundo de 2026 entre Inglaterra e Argentina é acompanhado em silêncio, com olhares fixos na televisão e poucas palavras. Para o britânico Nicholas Trimarco, de 62 anos, o jogo desta quarta-feira (15) vale mais do que uma vaga na decisão, pois pode encerrar a campanha inglesa ou colocar a seleção na disputa do título contra a Espanha, marcada para domingo (19).

Nicholas Trimarco, britânico que vive há quatro anos em Campo Grande, acompanha com a filha Luara a semifinal entre Inglaterra e Argentina em clima de forte tensão e discrição. A família, que há mais de três décadas no Brasil e na Inglaterra, torce pela seleção inglesa, embora com cautela. Luara diz que muitos brasileiros apoiam a Inglaterra pela rivalidade com a Argentina.

Ao lado da filha, Luara Trimarco, de 32 anos, e do amigo Paulo Nonato, Nicholas acompanha a partida de forma discreta, mas sem esconder a apreensão. A torcida, segundo Luara, acontece “do jeito deles”, sem grandes previsões, mas transmitidas de emoção por se tratar de um momento decisivo.

A história da família um Brasil e Inglaterra há mais de três décadas. A mãe de Luara, brasileira e paulista, mudou-se para Londres aos 19 anos, onde conheceu Nicholas. O casal se casou, e Luara nasceu na capital inglesa. Ela viveu no Reino Unido até os cinco anos de idade, quando a família se mudou para o Brasil.

Hoje, Nicholas divide a vida entre os dois países, embora esteja morando em Campo Grande há cerca de quatro anos. “Ele sempre brinca que vai voltar para Londres”, conta a filha. Apesar da rotina brasileira, a ligação com a seleção inglesa permanece.

Segundo Luara, a proximidade de uma possível conquista desperta um sentimento especial entre os ingleses. Embora a Inglaterra tenha tradição em outras competições, a Copa do Mundo continua sendo um título muito desejado. “Como eles realizaram o futebolsempre existe aquela vontade de conquistar mais uma Copa”, afirma.

Acompanhado de brasileiros, inglês vive tensão por vaga na final da Copa
Praça de alimentação lotada no supermercado de Campo Grande (Foto: Maya Severino)

Ela também observa que, entre os brasileiros, ouça um apoio incomum aos ingleses nesta semifinal. Para ela, a rivalidade histórica entre Brasil e Argentina faz com que muitos torcedores brasileiros optem por apoiar a seleção europeia.

Nicholas, porém, chegou ao Mundial sem grandes expectativas. Ele não acreditava que a equipe chegaria tão longe. Com a classificação para a semifinal, a esperança aumentou, mas permanece seguida de cautela.

Em conversas durante a partida, o britânico avalia que a campanha inglesa alternou bons e maus momentos e considera que a equipe ainda precisa apresentar um futebol melhor para sonhar com o título. Também demonstra críticas à condução do futebol internacional e afirma desconfiar da atuação da Fifa em algumas situações de competição. Essa é uma opinião pessoal do torcedor, sem apresentação de provas.

Apesar das críticas, Nicholas confirma o poder da Copa do Mundo de pessoas reunirem-se em torno do futebol. Para ele, assim como acontece entre brasileiros, argentinos e ingleses, a paixão pelo esporte supera fronteiras e aproxima culturas.

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