Beto Avelar fala em “ataque à honra” e que fará denúncia criminal; Maicon Nogueira diz que manterá as críticas

A primeira sessão da Câmara Municipal de Campo Grande após o pedido de cassação contra o vereador Maicon Nogueira (PP) terminou com uma nova troca de acusações entre ele e o líder da prefeita Adriane Lopes (PP), o vereador Beto Avelar (PP). O debate ocorreu nesta terça-feira (14), última sessão antes do recesso parlamentar, poucos dias após a representação por quebra de decoro ser encaminhada à Comissão de Ética e à Procuradoria Jurídica da Casa.

Vereadores da Câmara Municipal de Campo Grande trocaram acusações na última sessão antes do recesso parlamentar. Beto Avelar, líder da prefeita Adriane Lopes, afirmou ter sido chamado de corrupto após Maicon Nogueira publicar vídeo associando sua imagem à Operação Buraco Sem Fim. Maicon rebateu e disse que continuará fiscalizando o Executivo. O pedido de cassação contra Maicon, protocolado por Beto, aguarda análise da Procuradoria Jurídica da Casa.

A discussão começou quando Beto ocupou a tribuna para afirmar que passou a sofrer ataques nas redes sociais após Maicon publicar um vídeo com sua imagem acompanhado de uma notícia sobre a Operação Buraco Sem Fim, investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) sobre supostas fraudes em contratos de tapa-buracos da Prefeitura.

Segundo o líder da prefeita, a publicação levou moradores a associarem sua imagem ao esquema investigado, embora ele não seja alvo da operação. O vereador relatou que recebeu comentários ofensivos nas redes sociais e em grupos de WhatsAppinclusive de pessoas que o chamaram de corrupto.

“Nunca minha eu tinha sido chamada de corrupto. Mexeram com a honra”, afirmou. Beto disse ainda que, além da representação por quebra de decoro apresentada contra o colega, pretende adotar medidas na esfera criminal para entender que sua honra foi alcançada.

Durante o discurso, o progressista também defendeu que a fiscalização é uma prerrogativa do mandato parlamentar, mas criticou a forma como ela vem sendo exercida em alguns casos. Segundo ele, os vereadores não devem estranhar os servidores públicos durante as visitas a repartições, nem fazer acusações sem provas.

Após pedido de cassação, vereadores do PP voltam a "bater boca" na Câmara
Mesmo sentados na mesma bancada da Câmara, vereadores do PP não trocaram palavras durante a sessão (Foto: Mylena Fraiha).

“Vou continuar” – Na sequência, Maicon Nogueira respondeu às críticas e afirmou que continuará adotando uma postura de fiscalização em relação ao Executivo. O vereador voltou a citar a Operação Buraco Sem Fim e disse que seu foco continuará sendo cobrar transparência sobre as investigações envolvendo contratos da Prefeitura.

“Quem não quer aparecer num contexto em que está sendo cobrada transparência, porque as pessoas foram presas por suspeitas de desvios, então que fique quieto. Não se exponha para defender vagabundo“, afirmou Maicon na tribuna.

Maicon também voltou a criticar uma orientação apresentada pela Presidência da Câmara sobre a atuação individual dos vereadores em fiscalizações. Em segundo lugar, impedir que os parlamentares visitem as repartições públicas comprometam uma das principais funções do mandato.

Como exemplo, relembrou a fiscalização realizada na escola Municipal de Tempo A integrante Hilda de Souza Ferreira, onde denunciou que os alunos haviam consumido molho estragado na merenda escolar. O episódio ganhou novos desdobramentos nesta semana. Inicialmente, a Semed (Secretaria Municipal de Educação) informou que não havia evidências técnicas que confirmassem contaminação alimentar.

Cinco dias depois, porém, a direção da escola divulgue um novo comunicado admitindo uma falha no preparo dos alimentos. Segundo a unidade, uma análise técnica inclui uma “falha pontual no processo de manipulação e preparo”, que provocou a fermentação do molho servido aos estudantes e pode ter contribuído para o mal-estar relatado por alguns alunos.

Para Maicon, a mudança de posicionamento reforça a importância das fiscalizações parlamentares e do registro em vídeo das visitas às unidades públicas. “Imaginem se eu não tivesse a prova. Seria a minha palavra contra a nota técnica da Semed dizendo que não tinha nada estragado”, declarou.

Pedido de cassação – Ó pedido de cassação foi protocolado por Beto Avelar na última quinta-feira (9). Na representação, o líder da prefeita sustenta que Maicon utilizou a tribuna e as redes sociais para fazer acusações genéricas de corrupção e associação, ainda que indiretamente, à Operação Buraco Sem Fim.

Segundo Beto, a postagem feita pelo colega no dia seguinte ao debate em plenário utilizou sua imagem ao lado de uma notícia sobre a operação, o que, na avaliação dele, levou parte da população a acreditar que estaria envolvida nas investigações.

Já Maicon afirma que nunca acusou o colega de participar do esquema investigado e diz que a publicação tinha como objetivo apenas mostrar que foi anunciado pelo líder da prefeita após cobrar providências sobre as denúncias de corrupção.

O requisito agora aguarda análise da Procuradoria Jurídica da Câmara, que emitirá parecer recomendando a abertura ou o arquivamento do processo disciplinar. Como Beto preside a Comissão de Ética, ele informou que deveria se afastar da função para evitar conflito de interesses. A reportagem entrou em contato com a assessoria da Câmara para saber o andamento do processo e aguardar retorno.

O debate é mais um capítulo da racha na base da prefeita Adriane Lopes (PP), aprofundado desde a deflagração da Operação Buraco Sem Fim, em maio deste ano, e intensificado após Maicon deixar a liderança do PP para adotar uma postura crítica em relação à administração municipal.

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