Quando você escreve uma mensagem, ninguém vê sua expressão nem escuta o tom que você imagina ao digitar.

Ao vivo, você pode dizer uma coisa mais firme e, ainda assim, fazer com que ela seja recebida de maneira respeitosa. Um tom de voz calmo, uma expressão simpática e uma postura acolhedora, suave até conversas difíceis. E você pode dizer palavras supersimpáticas com uma cara de velório, a recepção será ruim. Percebe a importância da sua expressão facial, do seu tom de voz, do seu olhar, gestos e postura para complementar tudo o que as palavras, por si só, não conseguem dar conta sozinhas?

Uma mesma frase pode transmitir interesse, ironia, carinho, confiança ou completo desânimo. “Podemos deixar que eu resolva.” Com um sorriso e um tom tranquilo, parece disponibilidade. Com um suspiro, os olhos revirados e a voz impaciente, parece uma ameaça. As palavras são iguais. Uma mensagem, não.

Quando a fala diz uma coisa e o corpo demonstra outra, normalmente entendemos mais no corpo. É difícil convencer alguém de que você está feliz em vê-lo quando sua expressão parece a de quem acabou de receber uma cobrança inesperada.

Agora imagine a confusão que se instala quando uma sociedade inteira se comunica diariamente através do WhatsApp?

No aplicativo, desaparecem o tom de voz, o sorriso, o olhar e todos os sinais que ajudariam a explicar a intenção de quem escreveu. Você sabe exatamente o tom que imaginou ao digitar. Quem recebe não sabe. “Você pode fazer isso hoje?” Pode ser um pedido gentil. Pode ser uma cobrança. Pode ser uma ordem. Pode ser o começo de uma discussão.

Tudo depende da relação entre as pessoas, do contexto e até do humor de quem está lendo naquele momento.

É por isso que mensagens muito curtas podem parecer mais secas do que pretendíamos. Um “ok”, um “tá”, um “manda” ou um “depois vejo” talvez sejam apenas respostas objetivas, mas também podem transmitir impaciência, desinteresse ou aquela sensação de que conversar com você está atrapalhando o dia da pessoa.

E não adianta explicar depois: “Mas eu não falei com grosseria.” Tecnicamente, você não falou nada. Você escreveu. E quem recebeu precisou inventar o tom sozinho. Não significa que toda mensagem tenha quinze linhas, três corações e um desfile de emojis. Também não é necessário transformar um pedido simples em um pronunciamento oficial.

Mas existem diferenças importantes entre escrever: “Me manda o documento.” E: “Oi! Quando puder, você consegue me mandar o documento, por favor?” A informação é praticamente a mesma. A sensação de quem recebe, não.

Uma saudação, uma explicação breve, um “por favor” ou uma “obrigada” ajudar a substituir parte da simpatia que, presencialmente, seria transmitida pelo rosto e pela voz.

É claro que nem toda resposta curta é grosseira. Às vezes, uma pessoa está ocupada, trabalhando ou apenas tem uma maneira mais direta de escrever.

Mas, se suas mensagens são frequentemente interpretadas como frias, ríspidas ou impacientes, talvez não seja apenas porque “as pessoas são muito sensíveis”. Pode ser que você esteja confiando demais na sua intenção e pensando no pouco efeito daquilo que escreve.

Comunicação não é apenas o que você quis dizer. É também o que o outro conseguiu entender. No presencial, seu rosto, sua voz e seu corpo ajudam a completar a mensagem. Não WhatsAppas palavras precisam trabalhar sozinhas.

Por isso, antes de enviar, vale a pena ler não apenas para verificar se a informação está correta, mas para imaginar como aquela frase pode subir para quem está do outro lado. Porque ninguém vê o sorriso que você acha que colocou na mensagem. E, às vezes, o seu inocente “ok” chega para outra pessoa com a delicadeza de uma porta batendo.

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