Não existe uma paixão repentinamente pela Espanha, mas um desejo de ver os “hermanos” perderem

O clima na conveniência de um posto de combustível no bairro Silva Regina reflete o sentimento de grande parte dos torcedores em Campo Grande que amontoaram órfãos do futebol da seleção brasileira na Copa do Mundo. Sem a camisa amarela na disputa da grande final do torneio, o movimento nas mesas revela que o verdadeiro motor da torcida local não é uma paixão repentina pela Espanha, mas sim o desejo compartilhado de ver a Argentina sair de campo derrotada e sem conquistar o tetracampeonato.
Em Campo Grande, os torcedores acompanham a final da Copa do Mundo sem o Brasil, mas unidos pelo desejo de ver a Argentina ser derrotada. Na conveniência do bairro Silva Regina, clientes apostam na Espanha. O motorista Miguel Cárdenas, 63, e o cozinheiro Henrique Coutinho, 39, torcem contra os argentinos. A vendedora Rose Germano, 29 anos, apoia a Argentina pelo desempenho. Anderley Sanches, 63 anos, força pela Espanha por herança materna.
Entre os clientes que escolheram o local para acompanhar a entrega do esporte, o motorista Miguel Antônio Cárdenas, de 63 anos, sintetiza o espírito prático de quem restou na torcida. Divertindo os presentes pela semelhança física com o técnico português Jorge Jesus, o motorista deixa claro que seu coração pulsa mesmo pelo Flamengo e que a Copa virou um detalhe menor. Para a decisão, ele não esconde que seu foco principal está concentrado na torcida contra os vizinhos sul-americanos e aposta em uma vitória espanhola por dois a zero, descartando qualquer chance do jogador Lionel Messi reverter a situação.
A mesma linha de raciocínio é compartilhada pelo cozinheiro Henrique Coutinho, de 39 anos, que carrega fama de pé-frio na rodinha de amigos por ter visto todas as suas seleções escolhidas, como Cabo Verde e Noruega, sendo eliminadas ao longo da competição. Também ansioso pelo retorno dos jogos do Flamengo no campeonato nacional, o cozinheiro afirma ter virado espanhol desde a infância apenas para secar os argentinos. O palpite dele é de um cartaz de dois a um para os europeus não tempo normal. “Eles sempre dão virar no finalzinho e dá uma raiva, né? Mas desta vez acho que não. A Espanha ganha no tempo normal”, afirma.
Na contramão do sentimento de rivalidade regional, a vendedora Rose Germano, de 29 anos, optou pela simplicidade e declarou apoio direto ao tempo de Buenos Aires. Sem alimentar a rivalidade histórica que move os compatriotas, a vendedora avalia o cenário puramente sob a ótica do desempenho em campo e aponta que a equipe vizinha demonstrou mais garra durante a trajetória do mundial. Ela prevê um resultado favorável de dois a um para a Argentina e defende que o astro principal do time mereça erguer a taça da competição.
Já para o motorista Anderley Morán de Sanches, também de 63 anos, a escolha pelo lado europeu do confronto foge das brincadeiras cotidianas de secar o adversário e entrar no campo da tradição familiar. Acompanhado de familiares no estabelecimento de Silvia Regina, ele explica que a preferência pela equipe europeia vem de berço, herdada diretamente de sua mãe, que era espanhola. Criado sob a influência dos costumes e da culinária do país europeu, o motorista liderou a torcida familiar convencida de que a taça viajará para o outro lado do oceano Atlântico.
