BB prevê R$ 13,4 bilhões para o Plano Safra e amplia crédito para tecnologia e sustentabilidade
Mais da metade dos recursos do FCO (Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste) destinados ao crédito rural em Mato Grosso do Sul neste ano foi direcionado aos pequenos produtores. Segundo o superintendente de Varejo do Banco do Brasil no Estado, Fernando Porto Flor, dos R$ 780 milhões liberados para operações rurais no primeiro semestre, R$ 438 milhões foram contratados por esse público, o equivalente a mais de 56% do total.
Mais da metade do FCO Rural liberado neste ano em Mato Grosso do Sul foi para pequenos produtores, segundo o Banco do Brasil. Dos R$ 780 milhões contratados no primeiro semestre, R$ 438 milhões foram para esse público. O banco também anunciou R$ 13,4 bilhões para o Plano Safra 2026/2027 no Estado, com foco em custeio, supervisão, armazenamento, máquinas e recuperação de pastagens.
O dado foi apresentado durante entrevista ao Notícias Campo Grande concedido pela Porto Flor e pelo diretor de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil, Alberto Martinhago Vieira. Segundo o banco, o resultado demonstra que o acesso ao crédito para pequenos produtores permanece como uma das prioridades da instituição.
“Dos R$ 780 milhões que liberamos do FCO Rural nesse primeiro semestre, R$ 438 milhões foram para pequenos e miniprodutores rurais. Então, é um dado que diverge um pouco dessa crítica de que os recursos ficam concentrados nos grandes produtores. Mais de 60% desse recurso para o rural foram para pequenos e miniprodutores”, afirmou Vieira.
O desempenho acompanha a liderança do Banco do Brasil nas operações do FCO em Mato Grosso do Sul. Em 2026, a instituição respondeu por 79,03% de todo o desembolso realizado com recursos do fundo no Estado e liderou as aprovações de cartas-consulta, concentrando 61,2% das propostas aprovadas e 71% do volume financeiro autorizado.
“São números que demonstram nossa proximidade com o produtor rural e nosso papel no fortalecimento do agronegócio e da agricultura familiar sul-mato-grossenses”, afirmou Fernando Porto Flor.
Plano Safra terá R$ 13,4 bilhões em MS
Além dos recursos do FCO, o Banco do Brasil disponibilizará R$ 13,4 bilhões para financiar a safra 2026/2027 em Mato Grosso do Sul. Do total, mais de R$ 1 bilhão será destinado aos pequenos e médios produtores, enquanto R$ 12,4 bilhões serão destinados à agricultura empresarial.
Os recursos poderão ser utilizados em operações de custódia, investimento, comercialização e industrialização, além de fortalecer a agricultura familiar. “Mato Grosso do Sul reúne algumas das mais importantes cadeias produtivas do agronegócio brasileiro e conta também com uma agricultura familiar forte e presente em todas as regiões do Estado. Com os recursos do Plano Safra, queremos ampliar o apoio aos produtores de todos os portes, facilitando o acesso ao crédito, à tecnologia e às práticas sustentáveis que impulsionam a produtividade e o desenvolvimento no campo”, destacou Porto Flor.
No cenário nacional, o Banco do Brasil disponibilizará R$ 210 bilhões para o Plano Safra 2026/2027, sendo R$ 70 bilhões destinados aos pequenos e médios produtores e R$ 170 bilhões direcionados à agricultura empresarial.
Crédito mira armazenamento, controle e máquinas
Segundo Alberto Martinhago Vieira, além do custeio tradicional, o banco observa o crescimento da demanda por financiamentos financeiros ao aumento da eficiência das propriedades rurais.
Entre os principais investimentos procurados pelos produtores estão sistemas de controle, construção de armazéns e equipamentos que permitem agregar produtividade e reduzir custos.

“Temos recursos de PCA para financiar armazenamento. A gente sabe que, conforme o porte do produtor, isso faz uma diferença importante na margem final da safra dele. Também temos linhas para supervisão e para todo tipo de maquinário”, afirmou.
O diretor também revelou que o Banco do Brasil deverá colocar em operação, nos próximos dias, uma nova linha de crédito da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) destinada aos produtores rurais.
Segundo ele, a linha contará com R$ 10 bilhões em recursos nacionais, juros de um dígito e poderá financiar máquinas, equipamentos e tecnologias voltadas para a inovação.
O anúncio ocorre em um momento de retração no mercado de máquinas agrícolas. Conforme mostrado o Campo Grande Novoéos juros aumentaram e a cautela dos produtores reduziram o ritmo das vendas em Mato Grosso do Sul, levando muitos agricultores a adiarem investimentos até que o cenário econômico apresente maior previsibilidade.
Recuperação de pastagens ganha reforço
A agricultura de baixo carbono também está entre as prioridades do Plano Safra. Vieira destacou que o banco reforçou linhas como o RenovAgro e o EcoInvest, com vistas à recuperação de pastagens degradadas, com supervisão, planejamento direto e implantação de florestas econômicas.
“Temos ainda, para este semestre, R$ 2 bilhões destinados ao EcoInvest para recuperação de pastagens, recuperação de florestas e florestas econômicas. São linhas muito acessíveis, até porque existem metas de governo para recuperação de áreas degradadas”, afirmou.
O direcionamento acompanha uma vocação já consolidada em Mato Grosso do Sul. O Estado se tornou referência nacional na recuperação de pastagens degradadas, impulsionada pela adoção de tecnologias sustentáveis, crédito rural e integração entre pesquisa e produção.
Outro exemplo é a ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta). Mato Grosso do Sul concentra 3.169 milhões de hectares com o sistema integrado, o equivalente a 18,2% de toda a área brasileira ocupada pela tecnologiaa, consolidando-se como líder nacional na adoção desse modelo de produção, considerado um dos principais instrumentos para elevar a produtividade e reduzir a emissão de gases de efeito estufa no campo.
Para Vieira, a tendência é que os investimentos em sustentabilidade ganhem cada vez mais espaço na carteira de crédito rural. “Hoje, já temos R$ 170 bilhões em uma carteira certificada como sustentável. Estamos falando de plantio direto, recuperação de pastagens, agricultura familiar e supervisão. É uma pauta muito importante para o banco”, concluiu.
