Junior Vasconcelos é investigado pelo Gaeco por fraudes milionárias em contratos públicos
A Polícia Civil tirou compulsoriamente as funções do escrivão Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior, conhecido como Junior Vasconcelos, preso preventivamente na Operação Gutenberg. A portaria foi publicada nesta quinta-feira (9) no Diário Oficial do Estado e também determinou o recolhimento da arma, da carteira funcional e de outros bens públicos que estejam no poder do policial.
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul removeu compulsoriamente o escrivão Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior, ex-prefeito de Fátima do Sul, preso na Operação Gutenberg. A investigação apura fraudes em contratos públicos de livros paradidáticos, corrupção e lavagem de dinheiro, com valores superiores a R$ 27 milhões. A operação, conduzida pelo Gaeco, foi investigada em 16 mandados de prisão e 43 de busca e apreensão em seis municípios sul-mato-grossenses e dois estados.
Junior Vasconcelos também é ex-prefeito de Fátima do Sul e foi lotado no gabinete do deputado estadual Jamilson Name. Ainda não consta no Diário Oficial da Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul) qualquer afastamento.
A medida de afastamento da Polícia Civil foi assinada pelo delegado Clever José Fante Esteves, corregedor-geral do órgão, e valerá enquanto perdurar a medida cautelar determinada pela Justiça. A portaria também obriga a suspender senhas e logins de Eronivaldo nos bancos de dados da instituição, incluindo os sistemas Sigo e Infoseg, além das férias, caso essas disposições ainda não tenham sido contratadas. Os efeitos do afastamento retroagem a terça-feira, 7 de julho, data da prisão.
Eronivaldo foi preso durante a Operação Gutenberg, deflagrada na terça-feira (7) pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul). A investigação visa a atuação de uma suposta organização criminosa em fraudes contra a administração pública, principalmente em contratos para compra de livros paradidáticos.
Segundo o Ministério Público, o grupo é investigado por suspeitas de crimes em licitações, corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e outros crimes relacionados. O pesquisador aponta que os empresários atuaram como principais articuladores do esquema, utilizando servidores públicos para direcionar contratações feitas por inexigibilidade de licitação.
Os valores recebidos dos cofres públicos nos contratos investigados ultrapassaram R$ 27 milhões. Conforme o MPMS, parte do dinheiro teria sido pulverizada entre membros do grupo, servidores e pessoas físicas e jurídicas para ocultar e dissimular a origem dos recursos.
A investigação também chegou à saúde pública. A suspeita é que os servidores cooptados pelo grupo tenham influência sobre a regulação estadual para condicionar a autorização de exames, cirurgias e vagas até em hospitais à compra de livros comercializados pelas empresas investigadas.
A operação foi desencadeada para cumprir 16 mandados de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho e Porto Murtinho, além de São Paulo (SP) e Abadiânia (GO). Até a tarde de quarta-feira (8), porém, o MPMS informou que as ordens judiciais ainda não foram cumpridas integralmente.
Entre os presos identificados estão, além de Eronivaldo, o ex-coordenador estadual de Regulação Assistencial, Ed Carlo Britto Burgatt; a filha dele, Jessyka Duarte Burgatt; a cirurgiã-dentista Rossana Paroschi Jafar; os filhos dela, Olívia Paroschi Jafar e Felipe Paroschi Jafar; o empresário Joatan Gomes Peixoto, dono da Editora Avante; o filho dele, Matheus Oliveira Peixoto; Francisco Anízio dos Santos; Paulo Rogério de Melo e o filho Douglas Henrique de Melo; além dos advogados Geancarlos Leal de Freitas e Gabriel Taquino de Paula.
Hoje, também no Diário Oficial, consta que Ed Carlo foi afastado da função de CRA (Coordenador da Coordenadoria de Regulação e Assistência). Ontem, já havia sido determinada a saída de carga comissionada.
