Enquanto descarta ação de crimes, o órgão não repassou registros solicitados por policiais, segundo fontes
A Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) negou que uma evasão tenha ocorrido durante uma invasão promovida por grupo armado. A versão, porém, contrasta com as primeiras informações que mobilizaram equipes policiais em busca de suspeitos e ocorre sem que imagens do sistema de monitoramento da unidade tenham sido disponibilizadas, segundo fontes ouvidas pelo Notícias Campo Grande.
A Agepen negou que uma fuga de três presos do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, em Campo Grande, tenha ocorrido com invasão armada, mas investigador relatam que as imagens das câmeras de segurança não foram compartilhadas. Alicates e cadeados cortados foram encontrados no local. Os foragidos Ítalo de Moraes, Bruno Araújo da Silva e Thiago Pereira Costa seguem sendo procurados pelas forças de segurança.
Em nota, a Agepen afirmou que “não houve confronto, invasão de grupos armados, tampouco registro de indivíduos portando armamento durante a ação”. Segundo a agência, a evasão foi percebida apenas durante os procedimentos de conferência de rotina realizados na manhã de segunda-feira (20), quando foi constatada a ausência dos internos Ítalo de Moraes, Bruno Araújo da Silva e Thiago Pereira Costa.
No entanto, conforme apurado pela reportagem, policiais que atuaram nas diligências solicitaram acesso às gravações das câmeras de segurança para verificar a dinâmica da fuga e identificar a possível rota de saída dos envolvidos. As fontes afirmam, no entanto, que as imagens não foram partilhadas com as equipes responsáveis pelas buscas.
Apesar da negativa oficial sobre uma invasão, imagens obtidas pelo Notícias Campo Grande mostrar os mostrados encontrados na unidade após a fuga. Nos registros é possível ver alicates, além de cadeados cortados e sobras do lado de fora da estrutura onde os presos estavam custodiados.
A Agepen informou que, após a constatação da fuga, acionou imediatamente a Diretoria de Operações, a Gerência de Inteligência do Sistema Penitenciário e as demais forças de segurança. A evasão também foi registrada nos sistemas de gestão prisional para bloqueio dos custodiados e comunicada ao Juízo da 2ª Vara de Execução Penal de Campo Grande, responsável pela expedição dos mandados de prisão.
O órgão informou ainda que instaurou procedimento administrativo para esclarecer as estatísticas da fuga e afirmou que a estrutura de contenção da unidade já foi restabelecida.
Na nota, a agência também ressaltou que o Centro Penal Agroindustrial da Gameleira é uma unidade de regime semiaberto e de segurança mínima, destinada a custodiados que exercem atividade laboral externa durante o dia e retornam ao presídio para pernoite. Segundo a Agepen, a estrutura física da unidade segue as restrições previstas para esse tipo de estabelecimento, diferentes das adotadas em presídios de segurança máxima.
Enquanto isso, seguem as buscas de Ítalo de Moraes, Bruno Araújo da Silva e Thiago Pereira Costa, considerados foragidos. A Polícia Penal e as demais forças de segurança realizam diligências e ações de inteligência para localizar os três internos.
Dos três foragidos, Ítalo de Moraes é sobrinho de José Cláudio Arantes, conhecido como “Tio Arantes”, apontado como um dos maiores assaltantes de bancos do País. Segundo investigações do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros), ele já atuou como elo entre o tio e integrantes da quadrilha especializada em ataques a instituições financeiras. Já Bruno Araújo da Silva e Thiago Pereira Costa cumprem pena por tráfico de drogas.

