Projetos da Enactus unem universidades e comunidades; o ENEB chega a MS pela primeira vez

Quando uma empresa encomenda um brinde pelo projeto Itukéti, ela recebe uma peça de artesanato e também a história de quem foi produzida. A escultura ou o objeto decorativo chega acompanhado também da foto da arte indígena e do certificado de origem, enquanto o pagamento pela obra vai integralmente para quem é crioulo. A proposta elimina atravessadores, amplia a renda nas aldeias e transforma a arte tradicional em instrumento de valorização cultural e geração de oportunidades.

O projeto Ituketi, criado por estudantes da UFMS em Aquidauana, promove o artesanato indígena para eliminar atravessadores e repassar o valor integral das vendas aos produtores. A iniciativa integra o Evento Nacional Enactus Brasil, que ocorre em Campo Grande entre 21 e 24 de julho, reunindo 800 participantes. Além de Ituketi, outros projetos universitários em Mato Grosso do Sul focam em bioeconomia, preservação da língua Terena e geração de renda para comunidades quilombolas e ribeirinhas.

Criado por estudantes da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) em Aquidauana, no Pantanalo Itukéti é um dos projetos que serão apresentados durante o ENEB (Evento Nacional Enactus Brasil), evento que será realizado entre os dias 21 e 24 de julho, na UFMSem Campo Grande. Pela primeira vez, a região Centro-Oeste recebe uma competição de empreendedorismo social universitário e tem a expectativa de reunir cerca de 800 estudantes, professores, executivos e lideranças de impacto de diversas regiões brasileiras.

“O mais importante para nós é que o artesão indígena receba 100% do valor da sua obra, além de ter reconhecimento”, afirma o universitário Paulo Henrique Tavares, presidente da época Enactus Aquidauana e líder do projeto Itukéti.

A iniciativa de marketing brindes corporativos produzidos por artes indígenas para empresas, hotéis e pousadas. Segundo Paulo Henrique, o projeto já realizou vendas para empresas como Cargill, Sumitomo Chemical e agências de comunicação de São Paulo. Na próxima semana também será lançado um site dedicado exclusivamente à arte e à cultura indígena do Pantanalonde cada parceiro de arte terá uma página própria para apresentar sua trajetória e seu processo de produção.

Além do Itukéti, o tempo de Aquidauana desenvolve outros dois projetos voltados para comunidades indígenas. O Koyonoatí apoia a implantação de uma horta agroflorestal na Escola Pascoal Leite Dias, na Aldeia Limão Verde, integrando a produção de alimentos à merenda escolar e incentivando a organização de uma futura cooperativa. Já o Yukureâti atua na preservação da língua Terena por meio de jogos pedagógicos e livros didáticos produzidos em parceria com professores indígenas de diferentes territórios.

Confira a galeria de imagens:

  • Junto com a comunidade, estudantes utilizam frutos da macaúba (Foto: Divulgação)
  • Junto com a comunidade, estudantes utilizam frutos da macaúba (Foto: Divulgação)

Parceria com a comunidade – Em Nova Andradina, o trabalho dos estudantes também parte das necessidades específicas nas comunidades. Um dos destaques é o Macavida, negócio que transforma a macaúba, fruto nativo do Cerrado, em produtos alimentícios como farinha e polpa. O projeto busca conciliar preservação ambiental, bioeconomia e fortalecimento da agricultura familiar.

“É através do suporte da Enactus que conseguimos transformar nossas ideias em negócios de impacto e gerar valor para essas comunidades. Também aprender a atuar como líderes com o propósito de causar mudanças positivas”, afirma João Vitor Ribeiro, estudante de Engenharia de Produção e presidente do time Enactus UFMS Nova Andradina.

Segundo ele, a equipe reúne estudantes de Administração, Engenharia de Produção, História e Ciências Contábeis. Além do Macavida o grupo desenvolve projetos voltados para a agricultura familiar educação ambiental e preservação hídrica. Neste ano, o Macavida também conquistou reconhecimento em competições nacionais, entre elas o Prêmio Hult e o Prêmio Supernova, do Sebrae.

Em Campo Grande, o horário da UFMS atua com iniciativas voltadas para geração de renda em comunidades tradicionais. O projeto PantaMel trabalha com ribeirinhos da comunidade Flor do Camalote, em Miranda, apoiando desde a capacitação para produção de mel até estratégias de comercialização e obtenção da Identificação Geográfica do Mel do Pantanal. Já o Zuri desenvolve, em parceria com a comunidade quilombola Chácara do Buriti, misturas para bolo com frutos do Cerrado, como baru, bocaiuva e jatobá, reforçando a identidade cultural e incentivando a conservação dessas espécies.

“O protagonismo é dos estudantes, que desenvolvem ideias capazes de gerar impacto social positivo em pessoas e comunidades em situação de vulnerabilidade socioeconômica”, destaca o professor Geraldino Araújo, conselheiro do tempo Enactus UFMS CampoGrande.

Empresas trocam brindes comuns por peças com história produzida por indígenas
Expedição realizada pelos estudantes com a comunidade na aldeia Colônia Nova (Foto: Divulgação)

Encontro Nacional – O presidente da Enactus Brasil, Edson Matsuoka, explica que o ENEB é o principal encontro anual do empreendedorismo social universitário. O encontro é promovido anualmente e reúne equipes universitárias para apresentar projetos que utilizam o empreendedorismo como ferramenta de transformação social. Além da competição entre os horários, a programação inclui palestras, painéis, feira de carreiras e atividades de integração.

Em Campo Grande, o evento também definirá uma equipe que representará o Brasil na Enactus World Cup 2026. Pela primeira vez, a competição mundial será realizada no país, entre os dias 16 e 19 de novembro, em São Paulo, reunindo participantes de mais de 30 países.

Segundo Matsuoka, a Enactus Brasil envolve 120 universidades brasileiras, com 120 equipes formadas por 3.046 estudantes e 120 professores orientadores. Segundo o presidente, as ações são realizadas com apoio de empresas parceiras e, atualmente, os universitários desenvolvem 251 projetos de empreendedorismo social alinhados aos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da ONU (Organização das Nações Unidas). As iniciativas, conforme o balanço das ações, já impactaram diretamente 97.323 pessoas em diferentes regiões do país.

Empresas trocam brindes comuns por peças com história produzida por indígenas
Evento promovido pela Enactus (Foto: Divulgação)

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