Informações sobre orientação sexual e expressão de gênero passam a ter tratamento sigiloso

Delegacias são oficialmente obrigadas a proteger identidade de vítimas LGBTs
Jovem segura bandeira do arco-íris, símbolo universal do Orgulho LGBTQIA+ (Foto: Juliano Almeida)

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul criou um protocolo permanente para orientar o atendimento de vítimas LGBTQIA+ nas delegacias. A norma torna obrigatório o cuidado com informações sobre orientação sexual, identidade de gênero e expressão de gênero, que passam a ser tratados como “dados pessoais sensíveis”.

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul criou um protocolo permanente para orientar o atendimento de vítimas LGBTQIA+ nas delegacias. A portaria, assinada pelo delegado-geral Lupersio Degerone e publicada no Diário Oficial nesta quarta-feira (8), torna obrigatório o tratamento de dados sobre orientação sexual e identidade de gênero como informações confidenciais, restritas a servidores envolvidos no caso. O descumprimento pode gerar avaliações administrativas, civis e penais.

A portaria foi assinada pelo delegado-geral da Polícia Civil, Lupersio Degerone, e publicada no DOE (Diário Oficial do Estado) nesta quarta-feira (8).

Esses dados só poderão ser acessados ​​por servidores que realmente precisam deles para atuar no caso. O texto diz que a coleta, o registro e o compartilhamento dessas informações devem respeitar critérios como específicas, necessidade, segurança e proporcionalidade.

A portaria também prevê avaliação de risco por meio do chamado Formulário Rogéria, produção de provas mais complicadas, investigação de crimes motivados por discriminação e uso de instituições para proteção de pessoas em situação de vulnerabilidade.

Outro ponto é que a vítima ou o comunicador poderá avaliar o atendimento recebido na delegacia. A avaliação poderá ser feita pela plataforma Fala.BR ou por outros canais oficiais. O usuário poderá registrar “elogios, sugestões, críticas ou reclamações” sobre o serviço prestado.

Segundo o protocolo, essa avaliação é facultativa e não interfere no andamento do procedimento policial. As unidades também deverão divulgar os canais de avaliação em local visível ao público, inclusive com QR Code, sempre que possível.

A norma ainda prevê para quem divulgar indevidamente informações sobre orientação sexual, identidade de gênero ou expressão de gênero. O responsável poderá responder nas áreas administrativa, civil e penal.

O protocolo deverá ser divulgado entre os servidores da Polícia Civil e seu cumprimento é obrigatório. O descumprimento injustificado das regras poderá ser considerado uma infração funcional.

Formulário Rogéria – Criado em 2022 pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça), é uma ferramenta criada para identificar se uma pessoa LGBTQIA+ está em risco de sofrer violência, ameaça, discriminação, violação de direitos ou outra situação de emergência. Na Funciona como uma triagem: reúne informações do atendimento para ajudar a polícia, a Justiça e o Ministério Público a decidir se a vítima precisa de proteção rápida ou de outras medidas.

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