Rossana Jafar ganhou liberdade no flagrante pelas cinco munições encontradas em casa, mas continua presa por o
A cirurgiã-dentista e sócia-administradora da Gráfica Alvorada, Rossana Paroschi Jafar, de 54 anos, pagou R$ 4.863 (três mínimos mínimos) de fiança e conseguiu liberdade provisória em processo aberto após a apreensão de cinco munições calibre .38 em sua casa. Mesmo assim, ela continua presa porque também é alvo de um mandado de prisão preventiva (por tempo indeterminado) expedido o pedido da investigação que foi concluída na Operação Gutenberg esta semana.
Rossana Paroschi Jafar, de 54 anos, presa na Operação Gutenberg, pagou fiança de R$ 4.863 por posse de munições, mas permanece detida por mandato preventivo que apura fraudes em contratos públicos de R$ 27 milhões. A operação do Gaeco cumpriu 16 mandados de prisão em três estados. Dois filhos dela também foram presos e um terceiro é procurado. As defesas preparam pedidos de habeas corpus.
Na manhã de terça-feira (7), as equipes cumpriram contra ela mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão relacionada à força-tarefa do Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado) que apura esquema de fraude em contratos públicos que movimentou R$ 27 milhões.
Durante uma vistoria no apartamento onde mora, na região central de Campo Grande, os policiais encontraram cinco munições intactas calibre .38 em uma gaveta do armário do banheiro do quarto de visitas. Rossana foi então autuada em flagrante por posse irregular de munição de uso permitido.
Segundo o boletim de ocorrência, ela declarou inicialmente não conhecer a procedência do material. Posteriormente, em interrogatório, afirmou desconhecer a existência das munições e disse acreditar que elas poderiam ter pertencido ao marido, Mirched Jafar Júnior, já falecido, e permanente entre os pertences dele depois da mudança para o imóvel.
Prisões em flagrante e preventiva – Nesta quinta-feira (9), durante audiência de custódia, o juiz Marcus Abreu de Magalhães homologou a prisão em flagrante e concedeu liberdade provisória a Rossana, mantendo uma noiva. A decisão determinou a expedição de alvará de soltura após o pagamento, desde que ela não fosse presa por outro motivo.
A fiança foi paga e o cumprimento do alvará foi certificado pela Justiça. A medida, porém, vale apenas para o processo relacionado às cinco munições. Como Rossana já esteve presa preventivamente pela ordem do Núcleo de Garantias no âmbito da Operação Gutenberg, ela permanece na cadeia.
Em outra audiência, para analisar a validade do mandado preventivo, a defesa pediu a substituição da prisão por medidas cautelares, incluindo monitoramento eletrônico ou prisão domiciliar, mas o juiz entendeu que cabe ao Núcleo de Garantias, responsável pela ordem, decidir sobre eventual revogação ou substituição da medida.
Operação Gutemberg – A operação foi organizada para cumprir 16 mandados de prisão preventiva e 43 de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás.
Segundo o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), a investigação visa a atuação de uma organização criminosa por suspeitas de crimes em licitações, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e outros delitos relacionados a contratos públicos. O Gaeco afirma que mais de R$ 27 milhões foram movimentados por meio de contratos para aquisição de livros paradidáticos.
A purificação também alcança a área da saúdeonde servidores públicos foram usados influência sobre exames, cirurgias e vagas hospitalares em benefício do esquema investigado.
Além de Rossana, Gutenberg levou à prisão dois filhos dela, Olívia Paroschi Jafar e Felipe Paroschi Jafar. Outro filho, Giovanni Paroschi Jafar, também recebeu mandado de prisão preventiva expedido e, até a manhã desta quinta-feira (9), ainda foi procurado.
Há dez anos, a Gráfica Alvorada esteve no centro de outra investigação relacionada à corrupção. Olívia, Felipe e Giovanni são filhos de Rossana e Mirched Jafar, o dono da gráfica, que faleceu por complicações da covid-19 em abril de 2021. Antes disso, ele foi alvo e preso na Operação Lama Asfáltica.
As prisões preventivas de Rossana e de outros investigados foram mantidas após as respectivas audiências de custódia. As defesas dos presos na Operação Gutenberg iniciaram a preparação de pedidos de habeas corpus para tentar reverter as medidas.
