Após relatar abuso na UTI, mulher afirma sentir-se desprotegida e aguarda transferência prometida pela equipe

Ainda no hospital onde denunciou estupro, paciente diz não dormir nem comer
Vítima no HR, 3 dias antes do estupro que ela denunciou (Foto: Direto das Ruas)

“Não estou comendo nem dormindo. Estou totalmente inseguro de estar aqui.”

Paciente de 27 anos internado no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul denuncia ter sido estuprado por um técnico de enfermagem de 52 anos na UTI onde se recuperava de complicações pós-parto. O caso é investigado pela 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher como estupro de vulnerável. A vítima aguarda transferência prometida pelo hospital, que ainda não ocorreu, e diz viver em estado de medo e insegurança.

Internada há quase um mês no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, uma paciente de 27 anos que denunciou ter sido vítima de estupro dentro da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) afirma viver dias de medo, angústia e insegurança desde o episódio. Mesmo após o registrador ocorrer na Polícia Civil e relatar o caso à equipe da unidade, ela segue hospitalizada no mesmo local onde diz ter sofrido a violência e aguarda uma transferência que, segundo afirma, foi prometida, mas ainda não aconteceu.

A mulher está internada desde 15 de junho por complicações na gravidez. No dia 30 do mês passado, passou por parto e precisou ser encaminhada para a UTI após sofrer uma hemorragia decorrente da cirurgia. Em um dos momentos mais delicados de sua vida, debilitada fisicamente e dependente dos cuidados da equipe médica, ela afirma que teve confiança no ambiente hospitalar destruído.

“Eu me sinto totalmente vulnerável, desprotegida”, resumo.

Segundo o relato feito à reportagem, o técnico de enfermagem investigado participou dos cuidados prestados a ela durante o plantão. Horas depois, retornou ao leito.

“No dia do ocorrido eu lembro que ele se apresentou como colega da minha tia e ajudou a técnica outra a me dar banho. Por volta das cinco horas da manhã aplicou um remédio, depois mais um remédio. Fiquei com sono, virei para dormir. Foi quando ele colocou os músculos na minha boca.”

Um paciente afirma que estava sob efeito da medicação quando viu o que acontecia.

“Eu estava bem sonolento. Quando abri o olho, ele saiu bem rápido.”

Segundo ela, naquele momento não consegui reagir nem compreender completamente o que estava acontecendo. O que ficou foi uma sensação de vulnerabilidade.

“Eu acredito que ele achou que eu estava dormindo.”

A denúncia ganha contornos ainda mais graves pelo contexto em que teria ocorrido. A paciente estava internada em uma UTI, recuperando-se de complicações graves após o parto e sem a presença de familiares. Naquele setor, acompanhantes não eram permitidos.

Desde então, a mulher afirma que passou a viver em constante estado de alerta dentro do hospital. “Eu não aguentava mais. Queria fugir do hospital.”

De acordo com ela, somente após insistir por providências recebemos a informação de que seria fornecida para outra unidade.

“Hoje que veio dar um posicionamento porque eu não aguentei mais. Aí então me ofereceram a troca de unidade.”

Apesar da promessa, a transferência ainda não havia ocorrido até a tarde desta segunda-feira (13). “Estou esperando sair vaga, como disse que sairia hoje. Até agora nada.”

Ela também reclama da falta de informações sobre o próprio tratamento. Enquanto aguarda uma definição, um paciente diz que uma coisa mudou completamente desde a denúncia: ela não consegue mais permanecer sozinha.

“Agora não fico mais sozinho. Tenho muito medo.”

Ó caso – A ocorrência foi registrada na 1ª Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), que investiga o caso de violência de violência. A Polícia Civil solicitou à Justiça medidas de proteção contra o técnico de enfermagem de 52 anos investigado, incluindo a proibição de exercer atividades que envolvam contato direto com pessoas em situação de vulnerabilidade durante a apuração.

Em nota divulgada no domingo, o Hospital Regional informou que tomou conhecimento da denúncia na sexta-feira (10) e que vem adotando todas as medidas permitidas para apuração dos fatos, além de prestar acolhimento e suporte ao paciente. A instituição afirmou ainda confiar que, ao final do devido processo legal, os responsáveis ​​serão identificados e responsabilizados.

Já a defesa do técnico de enfermagem declarou confiar na inocência do profissional. Em manifestação enviada ao Notícias Campo Grandeo advogado Matheus Morandi informou que o inquérito tramita sob segredo de Justiça e afirmou estar convencido de que a investigação esclarecerá os fatos e demonstrará a inexistência do crime imputado ao cliente.

A reportagem voltou a procurar o Governo do Estado e a direção do Hospital Regional para questionar por que o pedido de transferência do paciente ainda não foi efetivado. Até a publicação desta matéria, não houve retorno aos questionamentos. Caso haja manifestação, o texto será atualizado.

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