Lydia Möcklinghoff morreu há 13 dias após aeronave decolar com destino ao Pantanal
Treze dias após morrer em um acidente aéreo, a pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff será cremada nesta quinta-feira (16), em Campo Grande. A cerimônia será realizada no Crematório de Campo Grande, na Avenida Tamandaré, com atendimento da funerária Pró-Vida.
A pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff, de 45 anos, será cremada nesta quinta-feira (16) em Campo Grande, 13 dias após morrer em acidente aéreo. Ela e o piloto Henrique Martin de Carvalho morreram quando o bimotor Neiva EMB-810D caiu após decolar do Aeródromo Estância Santa Maria. O Cenipa investiga a queda, atualmente como perda de controle em voo. Lydia pesquisou o Pantanal há duas décadas, com foco no tamanduá-bandeira.
A cremação encerra uma espera de quase duas semanas desde o acidente que interrompeu a trajetória de um cientista de 45 anos. Lydia morreu na manhã de 3 de julho, após o avião em que viajava cair pouco depois de decolar no Aeródromo Estância Santa Maria, na Capital. O piloto Henrique Martin de Carvalho também morreu.
A aeronave segue para a Fazenda Barranco Alto, em Aquidauana, uma das principais bases das pesquisas elaboradas pelo cientista no Pantanal.
O avião, um bimotor Neiva EMB-810D Seneca, fabricado em 1983, perdeu o controle durante a subida inicial e atingiu uma área de crescimento próxima ao aeródromo. A aeronave ficou destruída.
Relatório preliminar do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) classificou a ocorrência como perda de controle em voo. A definição descreve a dinâmica do acidente, mas ainda não esclarece o que provocou a queda. A investigação continua.
Nos levantamentos iniciais, as condições prejudiciais e a baixa visibilidade causadas pela neblina foram descobertas como possíveis fatores. O voo estava inicialmente previsto para ocorrer por volta das 5h, mas teria sido adiado e decolou aproximadamente às 6h20.
O aeródromo era habilitado para operações visuais, enquanto a aeronave tinha autorização para voos por instrumentos. Apesar disso, ainda não existe confirmação de que o mau tempo tenha causado o acidente.
Como o modelo não pertencia à caixa-preta, o trabalho de investigação depende da análise dos destroços, dos registros de manutenção, das condições ambientais, das informações de GPS e dos depoimentos de testemunhas e de pessoas ligadas à operação aérea.
Trajetória dedicada ao Pantanal – Zoóloga, ecóloga tropical, bióloga comportamental e jornalista científica, Lydia construiu parte importante de sua carreira em Mato Grosso do Sul. Ela possui mestrado em Zoologia pela Universidade de Würzburgo e desenvolveu doutorado na Universidade de Bonn, ambos na Alemanha.
A pesquisadora frequentava o Pantanal mais de duas décadas e chegou à Fazenda Barranco Alto em 2009. Durante cerca de 16 anos, reuniu dados sobre a ecologia e o comportamento do tamanduá-bandeira, espécie que se tornou o centro de sua trajetória científica.

O trabalho também envolve o monitoramento da biodiversidade e registros de outros animais do bioma, como onças-pintadas, araras-azuis, ariranhas e pumas.
Lydia também atuou na divulgação científica, desenvolvendo experiências de campo em livros, reportagens, palestras e conteúdos destinados ao público fora do ambiente acadêmico.
Exemplos de uma de suas obras sobre o Pantanal foram encontrados entre os objetos retirados dos destroços da aeronave.
A morte do pesquisador provocou manifestações de instituições ambientais, propriedades rurais e organizações ligadas à ciência e à preservação do Pantanal. Colegas destacou sua contribuição para o conhecimento sobre o tamanduá-bandeira e para a conservação do bioma.
Uma campanha internacional também foi divulgada com a proposta de financiamento de projetos de pesquisa, proteção da biodiversidade e divulgação científica na memória da pesquisadora. Até a última publicação sobre o assunto, porém, os responsáveis ainda não forneceram detalhes sobre quais projetos receberiam os recursos nem como seria feita a administração do dinheiro.

