Categoria rejeitou parcela em 2027 e quer que todo o índice seja pago até dezembro

Adriane cita limite fiscal após professores cobrarem reajuste em 2026
Prefeita Adriane Lopes (PP) durante agenda na manhã desta quarta-feira (8) (Foto: Osmar Veiga)

A prefeita Adriane Lopes (PP) afirmou nesta quarta-feira (8) que não pode descumprir a lei do piso dos professores, mas também disse que não pode “ser irresponsável com o dinheiro público”. A declaração foi dada um dia depois de professores da Reme (Rede Municipal de Ensino) rejeitarem a proposta da Prefeitura de Campo Grande de parcelar até janeiro de 2027 o reajuste de 5,4%.

A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, afirmou que não pode descumprir a lei do piso dos professores, mas também não pode ser irresponsável com o dinheiro público. A declaração ocorre após professores da Reme rejeitarem proposta de parcelar o reajuste de 5,4% até janeiro de 2027. O sindicato ACP exige que o índice seja pago integralmente ainda em 2026 e solicitou nova reunião para quinta-feira.

“Eu não posso descumprir a lei do piso, mas também não posso ser irresponsável com o dinheiro público. Toda medida tomada precisa ser feita com muita cautela e responsabilidade. Se a gente assumir um compromisso, precisa ter condições de cumpri-lo”, afirmou Adriane.

Na noite de terça-feira (7), a categoria rejeitou, por ampla maioria, a proposta apresentada pelo Executivo. O texto anterior tem três parcelas: 1,7% na folha de setembro, 1,7% em dezembro e 2% em janeiro de 2027. O ponto mais criticado pelos professores foi justamente deixar parte do reajuste para o próximo ano.

Nesta quarta-feira, o presidente da ACP (Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública), Gilvano Bronzoni, disse ao Notícias Campo Grande que o ofício com a resposta da categoria já foi encaminhado à prefeitura. Segundo ele, o sindicato segue negociando com secretários municipais e pediu nova reunião para quinta-feira (9).

“Até aquele dia não temos os 5,4%. Agora que temos, queremos que seja pago ainda este ano. Já foram cinco reuniões”, afirmou Bronzoni.

A contraproposta aprovada em assembleia aceita discutir a forma de pagamento dos 5,4%, desde que todo o índice seja quitado dentro de 2026. Ou seja, os professores não fecharam posição sobre pagamento de uma vez ou dividido em parcelas, mas rejeitaram qualquer valor empurrado para janeiro.

Adriane cita limite fiscal após professores cobrarem reajuste em 2026
Professores participantes da votação que rejeitaram proposta de parcelar reajuste janeiro de 2027, oferecida pela Prefeitura

Adriane afirmou que a discussão está sendo conduzida por uma comissão formada por vereadores, representantes da ACP e pela Secretaria Municipal de Administração. Segundo ela, o grupo voltou a se reunir para avaliar se a proposta foi rejeitada, já que, na visão da prefeitura, o acordo havia sido construído dentro das condições financeiras do município.

“Foi uma tratativa construída em conjunto e agora essa mesma comissão vai entender por que, se estava tudo organizado dentro da proposta, ela acabou sendo rejeitada. Hoje essa comissão se reúne novamente para entender essa situação e para que a gente possa avançar”, disse.

A prefeita voltou a citar o plano de equilíbrio fiscal e afirmou que Campo Grande tem “o maior salário do Brasil na educação“. Segundo Adriane, quando assumiu a gestão, o piso municipal era 50% acima do piso nacional. Agora, conforme a prefeita, está 72% acima.

“Temos dificuldades financeiras, temos um plano de equilíbrio fiscal a seguir, mas também temos um diálogo aberto com a educação e com um ACP. Essa é uma das prioridades da nossa gestão”, declarou.

Adriane também afirmou que o município investe mais de 30% do orçamento em educação e citou reformas em 206 escolas como parte dos avanços da área. Mesmo assim, disse que a prefeitura precisa considerar o impacto do reajuste na folha de pagamento e nos índices fiscais do município.

“Não é mais apenas a prefeita negociando com o sindicato. Hoje participa o sindicato, a Câmara Municipal de Campo Grande e o Poder Executivo, tratando dessa pauta, que é de grande relevância, mas que precisa de muita cautela para avançar”, afirmou.

Além dos 5,4%, a proposta recusada pela categoria deixou para 2027 a discussão de outro acréscimo de 3%, previsto na Lei 7.523, de novembro de 2025. A prefeitura argumenta que esse ponto dependerá de nova avaliação das condições fiscais e orçamentárias do município.

A ACP também cobra que a prefeita participe diretamente da próxima reunião. Na assembleia, os professores aprovaram ainda a exigência de publicação da tabela salarial no Diogrande (Diário Oficial do Município), com valores e prazos definidos, além da divulgação mensal das reuniões da comissão que acompanha as verbas da comissão educação.

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