Decisão cita atuação de organização criminosa, autoriza perícia em celulares e exame de corpo de delito

Juiz vê risco à investigação e mantém presos suspeitos de furtar Hilux
Equipamento usado para dar partida em caminhos furtados. (Foto: Reprodução processual)

A Justiça de Mato Grosso do Sul converteu em prisão preventiva a detenção de Reginaldo da Silva Barbosa, de 42 anos, e Rodrigo Leonardo da Silva Dias, de 34, suspeitos de integrar o grupo responsável pelo furto de caminhonetes Toyota Hilux no estado. A decisão ocorreu no fim da tarde desta quinta-feira (16), durante audiência de custódia realizada em Dourados, município situado a 251 quilômetros de Campo Grande.

A Justiça de Mato Grosso do Sul converteu em prisão preventiva a detenção de Reginaldo da Silva Barbosa, 42, e Rodrigo Leonardo da Silva Dias, 34, suspeitos de integrar quadrilha especializada em furtos de caminhosnetes Toyota Hilux no estado. O juiz Caio Márcio de Britto, de Dourados, fundamentou a decisão em provas de materialidade, confissões e risco às investigações. O grupo atuava de forma estruturada, com equipamentos eletrônicos para roubar sistemas de segurança e enviava os veículos ao Paraguai.

O juiz Caio Márcio de Britto afirmou que a liberdade dos dois poderia comprometer as investigações, facilitar a atuação da organização criminosa e até colocar a vida dos investigados em risco.

Ao fundamentar a prisão preventiva, o magistrado afirmou que há provas da materialidade e acusações suficientes de autoria, reunidas por meio de boletins de ocorrência, apreensões, imagens de monitoramento, depoimentos e das confissões dos próprios investigados. Segundo a decisão obtida pelo Notícias Campo Grandeo grupo “atuava de forma estruturada, com divisão de tarefas, uso de equipamentos eletrônicos para neutralizar o sistema de segurança dos veículos e envio das caminhosnetes para a região de fronteira”.

A audiência trouxe ainda dois desdobramentos para a investigação. O primeiro envolveu os celulares apreendidos com os suspeitos. O juiz autorizou a proteção dos dados armazenados em aparelhos. A perícia deve reunir contatos, histórico de chamadas e mensagens, inclusive de aplicativos como WhatsApppara identificar outros participantes do esquema, a divisão de tarefas, o fluxo financeiro e o destino das rotas furtadas.

O segundo diz respeito à prisão de Reginaldo. Na audiência, ele afirmou ter sofrido violência física e psicológica no momento da abordagem, embora tenha declarado que não houve agressões durante o interrogatório na delegacia. Rodrigo informou que não sofreu violência em nenhuma das etapas da prisão.

Diante da denúncia, o magistrado determinou a realização imediata de exame de corpo de delito em Reginaldo e o envio de cópia dos autos e da gravação da audiência ao Gacep (Grupo de Atuação Especial do Ministério Público), responsável por apurar o caso.

Entenda – Reginaldo veio de Minas Gerais para Mato Grosso do Sul especialmente para abrir e ligar caminhonetes Toyota Hilux que depois de furtadas foram levadas para o Paraguai. Preso nesta quarta-feira (15), ele confessou o furto de 2 caminhos em Campo Grande e de 3 em Dourados.

Morador em Esmeraldas (MG), Reginaldo foi preso por policiais da Defurv (Delegacia Especializada de Furtos e Roubos de Veículos) no terminal rodoviário da Capital quando se preparava para embarcar em um ônibus para Belo Horizonte (MG).

Juiz vê risco à investigação e mantém presos suspeitos de furtar Hilux
Reginaldo Barbosa ao chegar à delegacia em Dourados após ser preso na Capital. (Foto: Leandro Holsbach)

Ele confessou os crimes e revelou que tinha sido contratado por R$ 20 mil para abrir e ligar os caminhos usando o codificador eletrônico encontrado em sua mochila. Uma falha no sistema de segurança desses caminhos, fabricados entre 2016 e 2023, facilita a ação dos ladrões.

Reginaldo disse que sua função consistia em abrir os veículos e programar novas chaves por meio do equipamento eletrônico apreendido com ele. Revelou ter sido contratado por Cláudio Lucas dos Santos, de 32 anos, atualmente recolhido no sistema prisional de Minas Gerais.

Segundo o arrombador, Cláudio coordenou toda a logística criminosa e foi quem lhe ordenou o fornecimento do codificador eletrônico. O chefe do esquema impediu que todos os demais membros da organização conhecessem a identidade uns dos outros, para dificultar as investigações da polícia.

Já Rodrigo ajudou a monitorar os locais onde as caminhonetes estavam estacionadas e transportou até os locais o arrombador vindo de Minas Gerais e outros integrantes do bando, que levaram os veículos para o território paraguaio. Esses ainda não foram identificados.

Membro de um grupo de pagode de Dourados, Rodrigo Dias foi preso por policiais do Defron no BNH 4º Plano, na região sul de Dourados. Em depoimento à Polícia Civil, ele confessou o crime. Rodrigo contou que seu primo, conhecido como “Ryan”, lhe ofereceu R$ 2.000 para levar um veículo até Capitán Bado, no Paraguai, mas alegou ter recusado a proposta.

Entretanto, aceitou “fazer uma corrida” e levou o primo até um posto de combustíveis, onde se voltou com pelo menos outros 5 homens.

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