Crime aconteceu em 5 de junho, na Vila Taquarussu, e Deivison Felipe havia sido solto em audiência de custódia
O homem que confessou ter matado a mulher trans Natália dos Anjos Molina, de 33 anos, e o marido dela, Ademar Spacino Júnior, de 38 anos, foram para a prisão. Deivison Felipe Alves de Brito, de 30 anos, foi capturado na manhã desta terça-feira (21) e encaminhado para a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) do Bairro Tiradentes, em Campo Grande.
Deivison Felipe Alves de Brito, de 30 anos, confessou no duplo homicídio de Natália dos Anjos Molina, de 33 anos, e do dela, Ademar Spacino Júnior, de 38 anos, foi recapturado nesta terça-feira (21) em Campo Grande após a 2ª Vara do Tribunal do Júri revogar sua liberdade provisória e decretar prisão preventiva, recorrer a recursos do Ministério Público e da mãe da vítima, que apontaram risco à ordem pública e fragilidade na tese de defesa legítima alegada pelo suspeito.
A prisão ocorre após a 2ª Vara do Tribunal do Júri rever a decisão que havia concessão de liberdade provisória ao investigado durante audiência de custódia. O juiz Aluízio Pereira dos Santos acolheu os recursos apresentados pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul e pela mãe de Natália, que atua como assistente de acusação, e decretou a prisão preventiva.
Na decisão, assinada na última sexta-feira (17), o magistrado entendeu que estão presentes os requisitos para a custódia cautelar. Segundo ele, os elementos reunidos até o momento apontam para a materialidade do crime e pretendem ser suficientes de autoria, além de demonstrarem risco à ordem pública e à aplicação da lei penal.
Ao fundamentar a mudança de entendimento, o juiz destacou a gravidade concreta da conduta atribuída a Deivison. Conforme os autos, Natália foi atingida por três tiros nas costas e Ademar por dois tiros no peito.
Para o magistrado, a quantidade de tiros, a localização das lesões e a apreensão de projetos no interior da residência das vítimas prejudicadas, neste momento da investigação, a versão apresentada pela defesa de que o investigado teria agido em defesa legítima.
A decisão também menciona que Deivison deixou o logotipo local após o crime, considerado relevante para demonstrar risco à aplicação da lei penal. O magistrado concluiu ainda que as medidas cautelares anteriormente impostas, como uso de tornozeleira eletrônica, comparação ao CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) e apresentação periódica em justiça, são insuficientes diante da gravidade do caso.
Caso – O duplo homicídio ocorreu na manhã de 5 de junho, na Vila Taquarussu, em Campo Grande. Preso em flagrante pelo GOI (Grupo de Operações e Investigações), Deivison confessou os disparos e alegou ter agido em defesa legítima. Durante o interrogatório, afirmou: “Ou era eu, ou era eles”, disse.
Apesar da prisão em flagrante, ele foi colocado em liberdade na audiência de custódia, mediante a aplicação de medidas cautelares, entre elas monitoramento eletrônico, recolhimento domiciliar no período noturno, comparação ao CAPS e separação de manter contato com familiares das vítimas.
A decisão motivou recurso do Ministério Público que apontou risco à instrução criminal, possibilidade de investigação sobre testemunhas e ameaça à segurança de familiares do casal.
Posteriormente, a mãe de Natália também entrou no processo como assistente de acusação. Representada pelo advogado Willian Frata, ela sustentou que os elementos recolhidos na investigação fragilizaram a tese de defesa legítima e reforçaram a necessidade da prisão preventiva.
Ao reexaminar o caso, o juiz concluiu que os argumentos apresentados pelo Ministério Público e pela assistência de acusação justificavam a revogação da liberdade provisória e o restabelecimento da prisão cautelar de Deivison, que agora permanecem à disposição da Justiça.
