Oço tarifa imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros preocupados com empresas, produtores e trabalhadores. Em momentos como este, seria natural esperar que todas as lideranças políticas deixassem as disputas eleitorais do lado para defender, acima de tudo, o interesse nacional.
Infelizmente, é justamente isso que menos se vê.
De um lado, o governo brasileiro introduziu um discurso de forte enfrentamento político em relação aos Estados Unidos. Por outro lado, membros da oposição foram acusados por adversários de contribuição, direta ou indiretamente, para o agravamento da crise, enquanto rejeitaram essa interpretação e atribuem a responsabilidade à condução do governo. O resultado é um ambiente em que a disputa política acaba ocupando o espaço que deveria ser reservado à busca de soluções.
Quem perde com isso não são os governantes. São os brasileiros. As empresas deixam de exportar, os investimentos são adiados, os empregos ficam ameaçados e a economia sofre justamente quando o país mais precisa crescer.
O ex-embaixador Rubens Barbosa resumiu o cenário com uma frase que merece reflexão: “Agora, com eles, não tem regra nenhuma. É a lei da força.” Independentemente de concordarmos ou não com a política externa americana, é preciso considerar que a realidade exige pragmatismo. Os países defendem seus interesses nacionais, e o Brasil precisa fazer o mesmo.
Na política internacional, não basta ter razão. É preciso construir canais de diálogo, negociar, reduzir esforço e buscar resultados concretos. A diplomacia existe exatamente para isso: proteger os interesses do país, especialmente nos momentos mais difíceis.
Também seria inconveniente que a oposição, diante de uma medida capaz de prejudicar a economia brasileira, colocasse o interesse nacional acima das conveniências eleitorais. As democracias maduras conhecem a diferença entre fazer oposição ao governo e enfraquecer a posição do próprio país numa negociação internacional.
É como um tempo de futebol disputando uma final. Durante o campeonato, os jogadores podem discutir entre si, disputar posições e até discordar do treinador. Mas, quando a partida começa, todos precisam vestir a mesma camisa. Se cada um jogar apenas para si, quem perde é o tempo inteiro.
O Brasil atravessa desafios importantes na economia, precisa ampliar investimentos, gerar empregos e aumentar sua competitividade. Transformar uma crise comercial em mais um capítulo da polarização política não ajuda quem produz, quem trabalha nem quem depende do crescimento econômico.
O país precisa de menos palanque e mais negociação. Menos discursos para as redes sociais e mais diplomacia. Menos design eleitoral e mais compromisso com o interesse nacional.
A tarifa americana passou, como passaram outras crises. O que permanecer será a forma como o Brasil escolheu enfrentá-lo. Em temas que afetam milhões de brasileiros, uma política deveria produzir estadistas, não apenas oponentes em campanha. É isso que o país espera de quem exerce o poder e de quem pretende exercê-lo.
André Borges, advogado e professor de direito constitucional.
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