Jogadores regulares não conseguem receber os valores depositados nem sacar o saldo obtido
As disputas judiciais envolvendo plataformas de apostas esportivas não se limitam aos pedidos de indenização feitos por usuários que desenvolvem compulsão pelo jogo, mas também aos casos de quem não consegue acessar as plataformas ou teve o dinheiro retido pelas casas de forma indevida. Chame atenção um caso específico em que o Betano limitava as apostas de um cliente a R$ 6,34 por evento porque ele estaria fazendo “arbitragem”.
Apostadores de Mato Grosso do Sul recorrem à Justiça contra plataformas de apostas esportivas por manutenção indevida de saldos e restrições unilaterais. Os casos envolvem empresas como Betano, Pixbet, Sportingbet, Bet365 e Jonabet, com valores retidos que variam de R$ 6,34 em limites de apostas a R$ 32.800 bloqueados. As defesas dos consumidores alegam violação ao Código de Defesa do Consumidor e práticas abusivas.
Ela consistiu na comparação de cotações de um mesmo evento esportivo em diferentes plataformas concorrentes para realizar apostas simultâneas em todos os resultados possíveis. Ao calcular matematicamente os valores destinados a cada palpite, o usuário consegue eliminar o risco da operação e garantir o retorno financeiro independentemente do placar final do jogo.
No entendimento da Betano, a aplicação de restrições de limites de apostas é uma prática regular no mercado de jogos de cota fixa, prevista expressamente nos termos e condições de uso aceitos pelo cliente no ato de abertura de conta. A operadora define a medida como uma ferramenta de segurança e gestão de riscos operacionais.
Também afirma que o monitoramento interno compromete-se a que o usuário realize a prática conhecida como arbitragem esportiva, ou que seria um comportamento do apostador que “desequilibra a relação contratual e desvirtua a finalidade especificamente recreativa do serviço prestado”.
O apostador, um analista de sistemas de Campo Grande, defende que a Kaizen Gaming Brasil, empresa responsável pela plataforma Betano, limite as apostas ao máximo de R$ 6,34, mesmo ele tendo um saldo de R$ 14.569,71 depositado em sua conta na plataforma.
A ação tramita na 4ª Vara Cível da Capital e discute a legalidade das restrições impostas a clientes que obtêm lucros frequentes em canais de apostas. Na petição inicial, a defesa do analista de sistemas sustenta que a limitação de valores de forma unilateral e sem aviso prévio viola as diretrizes do Código de Defesa do Consumidor. A alegação é de que a conduta configura prática abusiva por recusar a prestação de serviços diretamente a quem pretende usufruir deles mediante pronto pagamento.
O caso passou por uma tentativa de conciliação no Cejusc (Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania), mas as partes envolvidas não chegaram a um acordo financeiro ou operacional para encerrar a disputa. Com o impasse, o processo retornou para o trânsito regular na vara de origem.
Diante do resultado negativo da audiência de conciliação, o magistrado responsável pelo caso abriu o prazo legal de 15 dias úteis para que o autor da ação apresente sua réplica aos argumentos trazidos pela defesa da casa de apostas. O prazo limite para a manifestação do consumidor expira no dia 23 de julho de 2026.
Sem pagamento – A retenção integral de valores conquistados pelos apostadores também motiva a abertura de novos processos judiciais no Estado. Em uma das ações, um morador de Campo Grande relata que teve sua conta bloqueada pela plataforma Pixbet após obter uma sequência de acertos em jogos de futebol.
O autor do processo afirma que a empresa reteu o valor de R$ 15.400,00 que estava disponível para saque em seu perfil de usuário. A defesa do consumidor argumenta que a retenção do saldo sob a alegação de atividade suspeita configura apropriação indébita e enriquecimento ilícito por parte da operadora de apostas.
Situação semelhante é alvo de processo movido por uma funcionária pública do Estado contra a plataforma Sportingbet. O usuário relatou que realizou depósitos regulares e rendimentos acumulados na plataforma, mas foi observado com o congelamento de suas atividades financeiras no site.
A consumidora afirma que a empresa reteu R$ 32.800,00 do seu saldo contratual. Na petição, a defesa relata que um cliente invejou todos os documentos pessoais exigidos para a verificação de verificação, mas o acesso aos recursos continua bloqueado sob a alegação de análise pendente pelo setor de segurança da plataforma.
Outra disputa judicial envolve um trabalhador independente e a plataforma Bet365 por causa do bloqueio de transações financeiras. O cliente entrou com a ação exigindo a liberação imediata de sua conta de apostas e o pagamento de indenização por transtornos causados pela indisponibilidade de seus recursos.
O apostador declara no processo que a plataforma retém o valor total de R$ 11.200,00 após ele solicitar a transferência dos ganhos para sua conta bancária pessoal. A petição sustenta que a conduta de reter saldos de forma unilateral, sem a concessão de direito de defesa ao usuário no âmbito administrativo, infringe as normas de proteção do consumidor.
Um jovem auxiliar de serviços gerais também recorreu ao Judiciário de Mato Grosso do Sul após ter os créditos de sua conta congelada pela empresa Jonabet. O usuário alegou que utilizou o aplicativo de forma recreativa e que o bloqueio ocorreu sem qualquer aviso prévio ou explicação detalhada sobre os motivos da proteção.
De acordo com os autos, a plataforma reteve R$ 7.400,00 que foram obtidos por meio de palpites em modalidades de jogos virtuais. O autor pede a restituição integral do montante acumulado e a declaração de nulidade das cláusulas contratuais que permitem o bloqueio de contas de usuários.
Nos processos, todas as empresas foram instruídas com grande resistência ou dificuldade de localização e implementação. Uma delas ocultau bens até a extinção do processo por falta de patrimônio e outra indicação de endereço inexistente.
A reportagem entrou em contato com as assessorias de imprensa e os canais de atendimento de todas as plataformas mencionadas nesta matéria para solicitar posicionamentos oficiais sobre as denúncias dos consumidores e o andamento dos respectivos processos judiciais, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.
A Esportes da Sorte, que mantém cinco casas de apostas, informou que não irá se manifestar sobre o tema.
