
O gol de Ferran Torres mal entrou e o bar Balaio, situado na Rua 14 de Julho, veio abaixo com a festa “do contra” na Argentina. Gente falou das cadeiras, se abraçou e aconchegante o gol da Espanha, enquanto a única torcedora declarada da seleção argentina encontrada pela reportagem do Notícias Campo Grande acompanhava, em silêncio, o fim do sonho do tetra.
Torcedores brasileiros comemoraram a derrota da Argentina para a Espanha na final da Eurocopa, na Rua 14 de Julho. A médica veterinária Adrielle Marilha, de 38 anos, neta argentina, foi a única torcedora da seleção sul-americana encontrada pela reportagem. Cercada por brasileiros, ela acompanhou a partida em silêncio e, mesmo com a derrota, declarou ter torcido até o fim, projetando o tetra argentino na próxima Copa.
O barulho no gol foi apenas o final de uma tarde em que a torcida tinha um alvo definido. A cada passe errado, chute para fora ou ataque atrasado da Argentina, as vãoas tomavam conta dos bares. Quando a Espanha recuperou a bola, o incentivo vinha quase no mesmo volume de uma torcida organizada.
No meio da comemoração foi Adrielle Marilha, de 38 anos. Neta de argentino, uma médica veterinária passou toda a partida defendendo a seleção do avô, enquanto era cercada por brasileiros que queriam exatamente o resultado oposto.
Horas antes do apito inicial, ela dizia que a Argentina sempre fazia o torcedor sofrer e apostava que o título viria nos pênaltis. A previsão acertou apenas na primeira parte.
Mesmo com a derrota, Adrielle garantiu que esteve ao lado da seleção até o último lance. “Torci, torci, torci, torci”, resumiu.
Ela reconheceu que a Espanha fez o suficiente para conquistar a Copa, mas acredita que a Argentina também merecia levantar a taça. “Foi quase. A Argentina é guerreira e merecia, mas a Espanha, com um futebol Feio de ataque, mereceu. Infelizmente, futebol é isso. Não faz e leva.”
O vice-campeonato não diminuiu o carinho pelos dois países. “Meu sangue, meu coração é dividido entre Brasil e Argentina”, contorno. E já projetou a próxima Copa: “Quem sabe o próximo é tetra.”
Enquanto os bares ainda comemoravam o título espanhol, Adrielle deixou a Rua 14 de Julho resignada. “É um pouco triste, mas é o futebol. Faz parte.”