Burburinho no São Conrado é grande, principalmente porque um candidato já foi preso com cocaína

Em clima de rivalidade, 6º bairro mais populoso da Capital espera nova eleição
A eleição foi suspensa, mas a propaganda seguiu espalhada por São Conrado. (Foto: Juliano Almeida)

No encontro das ruas Internacional e Pampulha, materiais de divulgação em lados opostos mostram o clima de rivalidade que se espalha pelo Jardim São Conrado, o sexto mais populoso de Campo Grande. De um lado da Pampulha, uma das poucas vias asfaltadas, está o material de divulgação da chapa 4, liderado por Elizângela Rodrigues da Silva. Do outro, a propaganda da chapa 1, encabeçada por Robson Ximenes.

A eleição da Associação de Moradores do Jardim São Conrado, em Campo Grande, foi suspensa pela Justiça no sábado (18) após a chapa 4, liderada por Elizângela Rodrigues, tendo o registro negado por falta de escritura pública. A juíza Mariel Cavalin dos Santos acolheu pedido de suspensão para garantir igualdade de condições entre os chapas. O bairro, com 24.944 habitantes, aguarda novos dados para a votação enquanto moradores cobram melhorias em infraestrutura e saúde.

Marcada para o domingo (dia 19), a eleição foi suspensa no sábado, durante o plantão do Poder Judiciário, pela juíza Mariel Cavalin dos Santos. Nesta segunda-feira (dia 20), o burburinho pelo bairro de 24.944 habitantes era grande, além da expectativa de quando será a nova eleição e dos planos para o futuro do cinquentenário São Conrado.

Em clima de rivalidade, 6º bairro mais populoso da Capital espera nova eleição
“Precisa melhorar a rua, o nosso campinho, o posto de saúde”, diz Sirley. (Foto: Juliano Almeida)

Na poeirenta Rua Internacional, Sirley Ajala, 62 anos, caminhava em meio à ventania e ao sol quente. “Precisa melhorar a rua, o nosso campinho, o posto de saúde que não tem remédio. Porque o médico é muito bom. Inclusive, o seu Robson, que estou apoiando, ele ajuda muito as pessoas. Então, eu estou com a chapa 1”.

Coordenadora da Cufa (Central Única das Favelas) em Campo Grande, Letícia Polidorio mora há oito meses em São Conrado. “Apoio a chapa 4 porque é só de mulheres e vai atender ao que o bairro precisa. Porque se as mulheres estão no poder, as coisas mudam. O bairro tem mais de 50 anos e está abandonado. Quando quem a gente elege no bairro consegue fazer essas demandas chegar ao poder público, é de grande valia. Espero que venha a próxima eleição, para ser decidido na urna”.

Em clima de rivalidade, 6º bairro mais populoso da Capital espera nova eleição
“Espero que venha a próxima eleição, para ser decidido na urna”, afirma Letícia. (Foto: Juliano Almeida)

Há 17 anos em São Conrado, Paula Fagundes de Oliveira, 34 anos, espera por melhorias. “Quem quer entrar para a presidência do bairro tem que correr atrás. Há anos que o São Conrado está parado”, diz.

Eunice Targino, de 62 anos, vive há 30 anos no bairro. Ela reclama do processo de condução da eleição até aqui. “Quando foi na quarta-feira, a gente começou a receber vídeos no grupo do bairro que a chapa da professora Elizângela tinha sido impugnada. Simplesmente, quem fez esse comunicado a todos foi a chapa 1, por vídeos”.

Em clima de rivalidade, 6º bairro mais populoso da Capital espera nova eleição
“Quem quer entrar para a presidência do bairro tem que correr atrás”, diz Paula. (Foto: Juliano Almeida)

No clima conflagrado, tranquilidade só mesmo na sede da Associação de Moradores no Jardim São Conrado, na Rua Coronel José Hélio. O cenário era de portão fechado, enquanto um enorme formigueiro se espalhava pelo terreno da fachada.

A chapa comissão 4 procurou a Justiça depois que a eleição negou o registo da candidatura por falta de escritura pública de imóveis em nome de Elizângela, candidatando-se à presidência. Além de pedir a reintegração imediata da chapa 4, solicitar a suspensão integral da eleição caso não houvesse tempo para garantir a participação em igualdade de condições.

Em clima de rivalidade, 6º bairro mais populoso da Capital espera nova eleição
Eunice mora no bairro há 30 anos e questiona a condução do processo eleitoral. (Foto: Juliano Almeida)

A juíza rejeitou a entrada imediata da chapa, mas acolheu o pedido alternativo. Segundo a magistrada, a inclusão ocorreria sem que a associação e a entidade organizadora apresentassem suas versões e poucas horas de abertura das urnas.

Pelas ruas, também há muita sinceridade de que o candidato Robson foi preso com 41 quilos de cocaína em 2022, quando era presidente de São Conrado. Na época, ele foi assessor parlamentar na Câmara Municipal de Campo Grande e foi exonerado. Conforme verificado pela reportagem, a reportagem foi de 8 anos e 2 meses por tráfico de drogas.

Elizângela afirma que quer seguir a candidatura e aguardar a decisão da Justiça sobre a continuidade do processo eleitoral. A reportagem questionou Robson sobre a eleição e aguarda retorno. Ó Notícias Campo Grande também posicionamento solícito da Unimar (União Municipal de Associações Regionais) e espera resposta.

Em clima de rivalidade, 6º bairro mais populoso da Capital espera nova eleição
Sede da Associação dos Moradores do São Conrado, na Rua Coronel José Hélio. (Foto: Juliano Almeida)
Em clima de rivalidade, 6º bairro mais populoso da Capital espera nova eleição
Rua sem asfalto no Jardim São Conrado, em Campo Grande. (Foto: Juliano Almeida)

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