
“Temos um mundo para desbravar”. É com esse pensamento que o piloto aquidauanense Mário Jorge Dias de Oliveira Filho, de 33 anos, embarca em um avião monomotor para dar a volta ao mundo. A viagem no “brasileirinho” começou no Aeroporto Santa Maria, em Campo Grande, às 11h desta segunda-feira (20).
O piloto aquidauanense Mário Jorge Dias de Oliveira Filho, de 33 anos, decolou nesta segunda-feira (20) do Aeroporto Santa Maria, em Campo Grande, para dar a volta ao mundo em um monomotor Bonanza F33A. A viagem, prevista para durar até sete meses, passa por mais de 50 países em cinco continentes. O avião, apelidado de “brasileirinho”, carrega equipamentos de segurança e um Starlink. O cinegrafista Gabriel Akos, de 28 anos, acompanha o piloto para registrar a jornada.
Antes da decolagem, o piloto abriu o bagageiro e mostrou o que levaria na jornada. Na lista estão itens essenciais, como coletes e botes salva-vidas, além do kit de primeiros socorros. Para conseguir ficar conectado, um Starlink também entrou na aeronave. Já a erva de tereré ainda era dúvida.
“Eu queria, mas estou com medo de levar tereré porque é outro país. Depois vai para fora e tem a questão da erva e ter que explicar o que é. Vai dar saudade, mas quem sabe eu levo”, relata.
Com autonomia para voar até oito horas sem escalas, o piloto também coincide com curiosidades, como a forma de uso do “banheiro” durante o trajeto. Para urinar, serão usadas garrafas vazias e sacos que solidifiquem líquidos.

“A gente leva também uns saquinhos, como se fosse de vômito. Você usa e ele solidifica, depois fecha e está tudo certo. Vamos levar vários, porque usamos bastante durante os voos. O resto é garrafinha de água mesmo. Toma água, usa e deixa ali do lado”, contornou, em tom bem-humorado.
Com vasta experiência, Mário pretende passar por mais de 50 países, percorrendo 5 continentes. A decolagem do monomotor Bonanza F33A, de 1993, foi acompanhada pela imprensa, por autoridades como o senador Nelson Trad Filho (PSD-MS) e por seus familiares.
Com duração prevista de até sete meses, o desafio não surpreende amigos e familiares. “Eu sempre me desafiei em várias etapas da minha vida. A volta ao mundo é mais um desafio que a gente criou e decidiu encarar”, explica.
Para ser reconhecido em qualquer lugar, o avião, apelidado de “brasileirinho”, leva as cores e a bandeira do Brasil. Além do piloto, a aeronave também transporta Gabriel Akos, de 28 anos, responsável por registrar toda a viagem.
Apesar de ter sido planejado há algumas semanas, a jornada não tem roteiro totalmente definido. Em países como China e Rússia, que vivem momentos de tensão militar, as autorizações já foram expedidas. Para outros destinos, ainda serão solicitados, com previsão de liberação em até uma semana.
“A gente vai conformar as coisas para comemorar. Sei que em Blumenau e Itapema vão ter eventos legais. Onde eu paro é onde tem gente interessante para conversar. Se não tiver nada, no outro dia a gente decola para o próximo ponto. E assim será no mundo todo”, explicou.
Após sair de Campo Grande, os próximos pousos serão em Blumenau (SC), Itapema (SC), Rio de Janeiro (RJ), Bahia, Fortaleza (CE) e Boa Vista (RR). Só depois começa a etapa internacional.
Os voos serão feitos durante o dia, mas em trechos específicos, como Alasca, Noruega e Groenlândia, podem ocorrer à noite para observação da aurora boreal, um dos pontos mais aguardados pelo piloto.
“Quero conhecer o Alasca, que ainda não fui, além da China e do Japão. Tenho muita vontade de explorar esses lugares e viver tudo intensamente. Claro que isso vale para todos os destinos, mas essas são novidade para mim”, disse.
Apesar da emoção, Mário admite que a saudade da família será o maior desafio. Por isso, o último fim de semana foi dedicado a eles.
“O que mais pesa é a saudade da família. Tenho uma filha de três anos, esposa e familiares que ficam aqui. Esse momento antes da viagem é o mais difícil. O que mais vou sentir falta é deles, da minha casa, até da minha cachorra. Sou desapegado de coisas, mas muito ligado à família”, descobriu.

