Áreas de influência somam 13,7 mil hectares; Bolívia diz ter controlado uma frente perto de Puerto Busch
Mesmo depois que autoridades bolivianas anunciaram o controle de uma frente de incêndio próxima em Puerto Busch, dados de satélite ainda apontaram quatro eventos de incêndio ativo neste domingo (19) na região de fronteira entre o Brasil e a Bolívia, em Corumbá.
Satélites registraram quatro focos de incêndios ativos na fronteira entre Brasil e Bolívia, em Corumbá, neste domingo (19), mesmo após autoridades bolivianas anunciarem o controle de uma frente próxima a Puerto Busch. Os eventos somam área de influência de 13.719,94 hectares entre o Forte Coimbra e o Parque Nacional Pantanal de Otuquis. O risco de fogo atingiu índice máximo na região, com umidade relativa entre 25% e 32%.
O monitoramento é feito pelo Painel do Fogo, ferramenta do Censipam (Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia), que reúne imagens de satélite para identificar a localização, a dimensão e a evolução das ocorrências.
Esses quatro eventos localizados entre o Forte Coimbra e o Parque Nacional Pantanal de Otuquis possuem áreas de influência que, somadas, chegam a 13.719,94 hectares. O número não representa necessariamente a extensão já queimada, mas a área em torno das detecções acompanhadas pelo sistema.
O maior e mais antigo dos eventos foi identificado às 1h23 de quinta-feira (16), na divisão entre os dois países. A área de influência é de 4.804,81 hectares e alcança seis imóveis registrados no CAR (Cadastro Ambiental Rural).
Na tarde do primeiro dia, o sistema chegou ao registrador 66 focos de calor associados à ocorrência. Neste domingo, o número havia caído para quatro, diminuindo a perda de intensidade na área. A última detecção ocorreu às 1h21.
Outro evento, identificado na tarde de sexta-feira (17), possui área de influência de 1.218,81 hectares e alcança três imóveis com cadastro rural. A ocorrência começou com 22 detecções e registradas duas vezes no sábado. Apesar de permanência como ativa, a última marcação do satélite ocorreu às 16h de sábado.
A atividade mais intensa neste domingo foi experimentada em outros dois eventos. Um deles, com área de influência de 4.669,95 hectares, chegou ao registrador 49 focos durante a madrugada de sábado e ainda apresentou 32 detecções neste domingo.
O quarto evento começou na madrugada de sábado, possui área de influência de 3.026,37 hectares e alcança dois imóveis registrados no CAR. O sistema indicava 58 focos associados à ocorrência.
A presença de áreas de influência sobre propriedades rurais não permite identificar onde o fogo começou nem envolve responsabilidade aos proprietários. Os dados mostram apenas que as detecções alcançam regiões nas quais existem imóveis inscritos no cadastro ambiental.
Instalações na Bolívia – Do lado boliviano, militares foram mobilizados para impedir que as chamas chegassem à estrutura portuária e industrial de Puerto Busch, próximo ao Parque Nacional Pantanal de Otuquis.
Segundo publicação do Quinto Distrito Naval Santa Cruz, o incêndio chegou a aproximadamente uma milha da Capitania de Puerto Mayor Busch. Três equipes militares, veículos, um caminhão, um carro de combate a incêndio e equipamentos especializados foram enviados para a região.
A Marinha Boliviana afirmou que os militares realizaram cerca de cinco horas de trabalho contínuo até conseguir “controlar e sufocar o incêndio”, ou controlar e apagar aquela frente de fogo.
Conforme a publicação, a ação evitou que as chamas atravessassem a estrada e atingissem instalações da capitania, da ASPB (Administração de Serviços Portuários da Bolívia) e da ESM (Empresa Siderúrgica do Mutún).
A corporação destacou que conseguiu conter o avanço, “evitando que as chamadas cruzassem a rota”, mas informou que as equipes organizadas no local para realizar monitoramento e vigilância preventiva.
O anúncio boliviano se refere a uma frente específica próxima a Puerto Busch. Os dados do Censipam mostram que outras áreas da região continuaram com detecções de fogo neste domingo.
Risco máximo – Os incêndios avançaram em uma área onde as condições ambientais e de risco permaneceram preservadas à propagação das chamas.
Dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) referentes a sábado apontaram risco de fogo de 0,91 nas proximidades de Forte Coimbra e índice 1, o valor máximo da escala, em pontos da região de Otuquis.
Na parte do estudo analisado entre os dois países, 61% dos pontos válidos estavam com risco máximo, enquanto aproximadamente 73% apresentaram índice igual ou superior a 0,9.
O modelo não mostra a extensão do incêndio já existente. O indicador estima a facilidade de o fogo começar ou se espalhar, considerando fatores como chuva acumulada, temperatura, umidade do ar, vegetação e características do terreno.
Outro arquivo do Inpe mostrou relativa umidade entre aproximadamente 25% e 32% na faixa de fronteira durante a tarde de sábado. O ar seco, combinado ao calor e aos ventos, reduz a umidade da vegetação e dificulta o controle dos incêndios.
O Fogo foi identificado inicialmente na região do Forte Coimbra, em Corumbá, na madrugada de quinta-feira. No sábado, o CBMMS (Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul) informou que 12 militares e três viaturas atuaram diretamente no combate, além das equipes responsáveis pelo apoio logístico.


