As empresas afirmam que 4 membros aumentam despesas, enquanto a comissão diz que isso já faz parte dos custos
O Consórcio Guaicurus afirmou que o pagamento dos quatro integrantes da comissão de intervenção no transporte coletivo de Campo Grande custará R$ 720 mil ao sistema durante os 180 dias previstos para o trabalho. Cada interventor recebe R$ 30 mil por mês, totalizando uma despesa mensal de R$ 120 mil. Ao fim dos seis meses, cada integrante receberá R$ 180 mil.
Uma intervenção no transporte coletivo de Campo Grande custará R$ 720 mil ao Consórcio Guaicurus nos 180 dias previstos, com cada um dos quatro interventores recebendo R$ 30 mil mensais. O consórcio alega que a despesa é quatro vezes maior que a anterior, mas o interventor Alexandro Oliveira nega, afirmando que os novos diretores substituem os antigos diretores, sem custo adicional. A comissão também investigou o pagamento de R$ 470 mil em rescisão a um ex-diretor.
Na nota enviada ao Notícias Campo Grandeo consórcio sustenta que apenas um executivo da administração anterior recebeu salários nesse patamar e que a prefeitura criou uma despesa quatro vezes maior para realizar o mesmo trabalho de gestão.
As empresas também afirmam que o valor será banido pelo sistema, que já enfrentará dificuldades financeiras, e sairá indiretamente do bolso dos passageiros. Segundo o texto, os R$ 720 mil equivalem a quase 150 mil passagens e se aproximam do valor gasto diariamente na compra de diesel para abastecer a frota.
O advogado Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira, interventor geral da comissão, contestou a versão apresentada pelo consórcio. Segundo ele, os salários serão pagos pelas empresas, e não diretamente pela prefeitura, além de não representar uma nova despesa, porque os atrasos dos antigos executivos já incluíram nos custos do sistema e no cálculo da tarifa.
“Os investidores que pagam é a empresa, não é o município, de forma nenhuma. Saíram os antigos diretores, chamaram os interventores e vão receber o que foi recebido. Ou seja, não muda absolutamente nada”, afirmou.
Alexandro também negou que apenas um executivo recebesse valor semelhante antes da intervenção. De acordo com ele, havia cerca de quatro gestores com remunerações nesse patamar. O argumentou ainda que a comissão administrou as atividades administrativas realizadas anteriormente pelos diretores, além da responsabilidade de examinar contratos, pagamentos e decisões tomadas pelas empresas.
“Nós estamos fazendo o mesmo trabalho que o executivo fez, com responsabilidades maiores, porque a gente ainda tem responsabilidade de auditoria e verificação”, declarou.
Para o interventor, a divulgação do valor é uma “cortina de fumaça” para desviar a atenção dos problemas encontrados na administração do transporte coletivo. Ele afirmou que a crise financeira e operacional é anterior à intervenção e citou as reclamações dos passageiros, a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) aberta pela Câmara Municipal e o TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) firmado com o Tribunal de Contas como sinais de que os problemas já existiam.
“Falar que é uma crise financeira que se instalou após a intervenção é uma piada de péssimo gosto. Se eles disseram bem, a população não teria feito uma CPI e o Tribunal de Contas não teria feito um TAC”, disse.
Ele termina dizendo que a comissão pretende apurar o pagamento de R$ 470 mil em verbas rescisórias a um antigo diretor que teria permanente menos de um ano no cargo. A comissão deverá ainda analisar a informação e os valores pagos aos antigos executivos durante as auditorias e incluir-los nos relatórios da intervenção.

