Consulta operacional vai orientar o monitoramento em regiões estratégicas do Estado

A Marinha do Brasil está elaborando uma consulta operacional para 2027 que irá mapear áreas de interesse em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso para subsidiar o desenvolvimento do SisGAAz (Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul). O trabalho prevê a identificação dessas áreas, o levantamento dos requisitos de monitoramento conforme os diferentes tipos de ameaças e a avaliação das soluções tecnológicas mais adequadas para cada cenário.
A Marinha do Brasil prepara para 2027 uma consulta operacional para mapear áreas de interesse em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a fim de orientar o SisGAAz e definir necessidades de monitoramento e tecnologias adequadas. O plano foi apresentado em Campo Grande e inclui regiões da bacia do Rio Paraguai. O sistema integra dados para ampliar a consciência situacional, apoiar navegação, fiscalização, resgate e proteção de áreas estratégicas.
As informações foram apresentadas nesta sexta-feira (10), durante o seminário “Horizontes da Economia Azul – O Papel das Hidrovias, do Turismo e da Formação Profissional no Desenvolvimento Sustentável em Mato Grosso do Sul”, realizado no Bioparque Pantanalem Campo Grande. A exposição foi conduzida pelo Capitão de Mar e Guerra José Marcelo Camelo, gerente de Projetos da DGePM.
Segundo Camelo, a consultoria operacional integra os trabalhos em andamento do SisGAAz e servirá para orientar o planejamento das ações do sistema na área de atuação do 6º Distrito Naval, responsável por Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
“Estamos elaborando uma consulta operacional para 2027. Vamos identificar as áreas de interesse em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, mapear os requisitos de monitoramento de acordo com os diferentes tipos de ameaças e avaliar quais soluções tecnológicas poderão atender a cada cenário”, afirmou.
Como exemplos de áreas de interesse, o oficial apresentou um mapa com bacias distribuídas ao longo da Rio Paraguai, entre elas Porto Murtinho, Barranco Branco, Forte Coimbra, Porto Esperança, Porto Morrinho, Canal do Tamengo, Corumbá e a região da Tríplice Fronteira entre Brasil, Bolívia e Paraguai.
Camelo explicou que essa etapa não define a instalação de equipamentos ou sensores nessas localidades. O objetivo é compreender as características operacionais de cada área para, posteriormente, avaliar quais tecnologias poderão atender às necessidades de monitoramento identificadas.
Sistema integra informações para ampliar a consciência situacional
Durante a apresentação, o oficial explicou que o SisGAAz foi concebido para ampliar a consciência situacional da Marinha sobre as Águas Jurisdicionais Brasileiras. Segundo ele, o sistema integra informações provenientes de diferentes plataformas e sensores, permitindo perceber o que ocorre em determinada área, compreender a situação e projetar planos para apoiar uma tomada de decisão.
Entre os sistemas que compõem essa estrutura estão o Sistram (Sistema de Informações sobre o Tráfego Marítimo), o AIS (Sistema de Identificação Automática de Embarcações), o LRIT (Long Range Identification and Tracking), sistemas de monitoramento de plataformas de petróleo, radares, sensores eletro-ópticos e informações compartilhadas por instituições nacionais e parceiros internacionais.
Segundo a Marinha, o SisGAAz também reúne dados meteorológicos, oceanográficos, ambientais e operacionais para apoiar atividades como segurança da navegação, inspeção naval, fiscalização ambiental, busca e salvamento, defesa civil e proteção de infraestruturas estratégicas.
Economia azul concentra atividades estratégicas
Camelo destacou ainda a dimensão econômica das Águas Jurisdicionais Brasileiras, conhecida como Amazônia Azul. Segundo dados apresentados pela Marinha, a área abrange aproximadamente 5,7 milhões de milhas quadradas, enquanto o Brasil também é responsável por uma área de SAR (Busca e Salvamento) de cerca de 14,5 milhões de milhas quadradas e possui aproximadamente 60 mil milhas de vias navegáveis interiores.
O oficial ressaltou que cerca de 95% da produção nacional de petróleo, 70% da produção de gás natural e 95% do comércio exterior brasileiro dependente do ambiente marítimo. A chamada Economia Azul responde por aproximadamente 19,4% do PIB (Produto Interno Bruto) do país, envolve 17 estados, representa cerca de 63% do território nacional e está relacionada a aproximadamente 25% dos empregos no Brasil.
Segundo Camelo, o desenvolvimento do SisGAAz depende da integração entre instituições públicas, universidades, centros de pesquisa e setor produtivo. Na avaliação da Marinha, essa cooperação é fundamental para ampliar a capacidade de monitoramento, compartilhar informações e aumentar a efetividade das ações desenvolvidas nas áreas sob sua responsabilidade.
