
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou nesta terça-feira (14) o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% (E32), na medida em que, segundo o governo federal, reduzirá a dependência das gasolina e ampliará o uso de combustíveis renováveis no país. Para Mato Grosso do Sul, a decisão ocorre em um momento de expansão da produção, consolidando o Estado entre os principais fornecedores nacionais do biocombustível.
O Conselho Nacional de Política Energética aprovou o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%, medida que deve reduzir em 900 milhões de litros anuais a importação de gasolina. Mato Grosso do Sul, terceiro maior produtor nacional, registrou crescimento de 29,6% na produção entre janeiro e maio de 2026, com alta de 61,8% no etanol anidro, segmentos diretamente beneficiados pela nova regra.
Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), a elevação da mistura permitirá ao Brasil reduzir em cerca de 900 milhões de litros por ano, a necessidade de importação de gasolina. A medida foi aprovada pelo CNPE com vigência inicial de 180 dias, podendo ser prorrogada uma única vez por igual período.
Mato Grosso do Sul chega a esse novo cenário ocupando em 2026 a terceira posição no ranking nacional de produção de etanol, atrás apenas de São Paulo e Mato Grosso. Dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) mostram que o Estado produziu 1.783 bilhões de litros entre janeiro e maio deste ano, volume 29,59% superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando foram produzidos 1.376 bilhões de litros.
O crescimento foi ainda mais expressivo justamente no etanol anidro, utilizado na mistura obrigatória da gasolina. A produção sul-mato-grossense aumentou 61,83% no acumulado dos cinco primeiros meses do ano, passando de 282.806 milhões para 457.673 milhões de litros.
Já o etanol hidratado, comercializado diretamente nas bombas, apresentou alta de 21,25%, com produção passando de 1.093 bilhões para 1.326 bilhões de litros no mesmo período.
Segundo a Biosul (Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul), o Estado conta atualmente com 22 plantas industriais produtoras de etanol, sendo 19 usinas de cana-de-açúcar e três unidades de etanol de milho.
Embora Mato Grosso do Sul tenha encerrado 2025 como o quarto maior produtor nacional de etanol, o avanço da produção neste ano fez o Estado ultrapassar Goiás e assumir a terceira colocação no ranking da ANP. No período de janeiro a maio, São Paulo liderou com 3.063 bilhões de litros, seguido por Mato Grosso, com 2.931 bilhões, e Mato Grosso do Sul, com 1.783 bilhões de litros.
A decisão do CNPE tende a ampliar a demanda pelo etanol anidro, justamente o segmento que mais cresce em Mato Grosso do Sul. O biocombustível é conectado obrigatoriamente à gasolina antes da distribuição aos postos, o que faz com que o aumento do percentual eleve automaticamente a necessidade de produção nacional.