Colegas de trabalho, pelo menos duas já decidiram ter seus bebês na Cândido Mariano, onde atuam

Acostumadas a receber gestantes, orientar mães e cuidar de recém-nascidos, dez enfermeiras da Maternidade Cândido Mariano, em Campo Grande, agora trocaram de papel. Em vez de conduzir partos e acompanhar os primeiros dias de vida dos bebês, elas passaram a viver a maternidade na pele, ou melhor, na barriga.
Dez enfermeiras da Maternidade Cândido Mariano, em Campo Grande, estão grávidas ao mesmo tempo, chamando a atenção da própria instituição, que reuniu sete delas para uma foto. Entre elas, Isabella Mesquita, 30 anos, e Jéssica Brandão, 36 anos, que após três abortos e diagnóstico de trombofilia, esperam a filha Amanda. Eu escolhi a maternidade onde trabalhar para dar à luz.
As profissionais estão grávidas ao mesmo tempo e o incidente chamou a atenção até da própria maternidade, que reuniu sete delas para uma foto em frente ao hospital. “Elas estão acostumadas a acolher, orientar e cuidar de tantas mamães todos os dias. Agora, chegou a vez de viver essa experiência do outro lado”, publicou a maternidade em sua conta do Instagram.
Na legenda, a instituição também entrou na brincadeira ao questionar se a influência ambiental. “Trabalhar na maior maternidade de Mato Grosso do Sul, cercada por bebês todos os dias, parece ter seus efeitos… Coincidência? Talvez. Energia de maternidade? Com certeza!”, escreveu.

A enfermeira-chefe da unidade, Viviane Wolff, explica que esta é a primeira vez que se vê um “baby boom” dessa proporção na maternidade e que uma equipe precisou se reorganizar para garantir a segurança às gestantes durante esse período.
“Normalmente temos duas ou três colaboradoras gestantes ao mesmo tempo e, hoje, são dez profissionais da enfermagem nessa fase. Como gestora, a preocupação inicial é reorganizar as equipes e realocá-las para os setores administrativos, em conformidade com a legislação. Mas, como profissional que trabalha em uma maternidade, é muito gratificante ver nossas colaboradoras realizarem o sonho da maternidade”, explica Viviane.
Para Viviane, a mudança de papel, de cuidadoras para pacientes, também faz diferença na forma como elas vivenciam a gestação. “Acredito que elas se sintam acolhidas e mais seguras, porque estão cercadas por profissionais que vivenciam diariamente esse momento e podem apoiá-las no que precisam”, diz.

Uma delas é a enfermeira Isabella Pereira de Mesquita, de 30 anos, que trabalha há três anos na maternidade. Ela relata que ver diariamente a chegada de novos bebês tornou-se a própria gravidez ainda mais especial.
“Ver as gestantes chegando e, logo depois, seus bebês, aquecendo o coração”, conta. Agora, prestes a dar à luz, ela diz que percorre os corredores imaginando o momento em que farão o caminho inverso. “Só de andar pelos corredores do hospital, já imagino o grande dia em que pegarei meu bebê no colo”, comenta Isabella.
Grávida de 37 semanas, Isabella espera José Antônio, que fará companhia à irmã mais velha. O parto está previsto para 9 de outubro, e ela não teve dúvidas na hora de escolher onde o filho nascerá. “Já incluí no meu plano de parto a Maternidade Cândido Mariano. Vou me sentir muito acolhida e feliz por ser cuidada pelos meus colegas de trabalho. Isso torna essa vivência muito mais especial”, afirma.

Outra futura mamãe é a enfermeira Jéssica Brandão, de 36 anos, funcionária da maternidade há sete anos. Costumada a orientar mães sobre amamentação, banho e os primeiros cuidados com os bebês, agora ela acompanha cada etapa da própria gestação. “É uma experiência mágica. Cada ultrassom, cada movimento, o crescimento e o desenvolvimento dela me fazem muito feliz”, diz.
A gravidez, porém, tem um significado ainda maior. Depois de três abortos, do diagnóstico de uma doença autoimune e de trombofilia, Jéssica vive uma gestação cercada de cuidados.
Ela aplica duas injeções diárias de anticoagulante, que chama carinhosamente de “picadinhas do amor”, para garantir que Amanda chegue saudável ao fim da gestação. “Estamos vencendo e prosseguindo na gestação”, resume Jéssica.
Assim como Isabella, ela também escolheu a Maternidade Cândido Mariano para o nascimento da filha. O parto está previsto para o dia 10 de novembro deste ano. “Me sinto protegido e acolhida aqui. Todo o cuidado e carinho que tenho com os pacientes e os recém-nascidos ao longo desses sete anos tenho certeza de que serão retribuídos quando a minha vez chegar.”
Por enquanto, elas seguem dividindo a rotina entre plantões, consultas de pré-natal e a expectativa pela chegada dos bebês. O jaleco continua fazendo parte do dia a dia, mas agora divide espaço com a carteirinha de gestante, uma mudança de função que, desta vez, veio acompanhada de muito mais emoção.