Vistoria encontrou hidrantes incompletos, falhas na brigada e pendências no projeto contra incêndio

A Santa Casa de Campo Grande apresentou avanços nas medidas de prevenção contra incêndios, mas ainda mantém problemas em hidrantes, instalações elétricas, brigada de incêndio, portas corta-fogo e outros sistemas de segurança. A avaliação consta do relatório do CBMMS (Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul), produzido após vistoria realizada em junho.
A Santa Casa de Campo Grande registra avanços nas medidas de prevenção contra incêndios, mas ainda apresenta problemas em hidrantes, instalações elétricas, brigada de incêndio e portas corta-fogo, segundo relatório do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul. O documento aponta ausência de brigadistas no subsolo e falta de aprovação do projeto de segurança do prédio principal, sem o que não é possível verificar a adequação dos sistemas instalados.
O documento foi concluído em 10 de julho e juntado ao processo judicial. A decisão publicada no Diário da Justiça, nesta quinta-feira (16), informa que os bombeiros receberam mais 30 dias para apresentar o relatório, mas essa etapa já foi cumprida.
Para concluir, os bombeiros afirmam que a instituição “apresenta progresso significativo”, principalmente nos sistemas de alarme, hidrantes, manutenção de bombeiros e mangueiras, presença de bombeiros civis e melhorias elétricas. Apesar disso, a vistoria dos acordos pendentes impede a avaliação completa da segurança do complexo hospitalar.
Entre os problemas estão hidrantes sem todos os equipamentos necessários. Segundo o relatório, “diversos hidrantes estão incompletos”, situação que compromete a eficiência do sistema de combate a incêndios. Também foi constatada ausência de sistemas preventivos na recepção do Pronto Med.
Os bombeiros observaram que a Santa Casa apresentou documentos sobre a manutenção dos hidrantes e alarmes. Porém, ainda faltam equipamentos nas caixas de hidrantes e testes que demonstrem o funcionamento correto de todos os sistemas.
Sem brigadistas no subsolo A Santa Casa apresentou atestado datado de 1º de junho com a relação de 232 brigadistas. Durante a fiscalização por amostragem, no entanto, nenhum brigadista foi encontrado no subsolo. No primeiro andar, foram localizados apenas dois, sendo que somente um foi devidamente identificado.
Para os bombeiros, a verificação “demonstrou a ineficiência do preventivo”. O relatório acrescenta que “não houve progresso nas exceções, evidenciando-se um déficit em item de segurança considerado básico”.
A fiscalização também registrou que a instituição não apresentou plano de emergência e não apresentou organização adequada da brigada. Dois bombeiros civis estavam com os cadastros vencidos desde 2024, embora a Santa Casa tenha informado que eles foram matriculados em curso de atualização.
Instalações têm inconformidades – O relatório confirma que a instituição vem realizando melhorias periódicas nas instalações elétricas. Entretanto, ao analisar a documentação referente a todo o complexo, os bombeiros afirmaram que o atestado apresentado contém “inconformidades”.
“A ocupação não indica total regularidade quanto às instalações elétricas demonstradas através de ART elétrica e respectivas atestadas”, registra o documento.
Também foram encontradas canaletas elétricas aparentes no interior das caixas de escada. Conforme os bombeiros, “a utilização de canais eléctricos sobrepostas em caixa de escada de segurança é vedada”. A Santa Casa deverá instalar uma canalização eléctrica para reduzir o risco de fumo tóxico nas rotas de fuga.
Portas corta-fogo – As portas corta-fogo do prédio principal permaneciam abertas durante a vistoria. A instituição informou, desde 2022, que pretendia instalar dispositivos magnéticos para fechá-los automaticamente em caso de incêndio, mas a medida ainda não havia sido realizado.
A possibilidade de deixar brigadistas responsáveis pelo fechamento das portas foi considerada inviável. Segundo o relatório, não foram encontrados profissionais identificados em quantidade suficiente. Os bombeiros, por sua vez, devem atuar diretamente no primeiro combate ao incêndio e não poderiam abandonar essa função para fechar portas.
Na parte relacionada às bombas de incêndio, a avaliação foi positiva. A documentação apresentada indica que o sistema está “em pleno funcionamento, com manutenção em dia”. A Santa Casa também apresentou testes e comprovantes de substituição das mangueiras, embora os hidrantes continuem incompletos.
O principal objetivo apontado no relatório é a falta de aprovação do PSCIP (Processo de Segurança Contra Incêndio e Pânico) do prédio principal e dos anexos. Sem esse projeto, os bombeiros alegam que não conseguem verificar se a quantidade e o tamanho dos sistemas de segurança são adequados à estrutura do hospital.
“Não é possível, nesse momento, alterar o dimensionamento correto dos sistemas e preventivos para a ocupação”, diz o relatório.
A Santa Casa deverá apresentar o projeto de análise, demonstrar a implantação definitiva dos sistemas básicos e solicitar novas vistorias no Prédio do Trauma e nas demais edificações do complexo.
O documento não determina a interdição do hospital nem concede um novo certificado de vistoria. Com a entrega do relatório, o juiz declarou encerrada a fase de produção de provas e determinou que o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), a Santa Casa, o Estado e o Município apresentassem as alegações finais, cada um no prazo sucessivo de 15 dias.
Ó CAmpo Grande Notícias questionou se houve alguma manifestação pública do caso, mas ainda não houve retorno do setor responsável. O espaço está aberto para esclarecimentos.