Nova Deli [India]12 de julho (ANI): A inacessibilidade da habitação continuará a ser um desafio económico e de saúde definidor até 2040, com o Fórum Económico Mundial e a Marsh a alertarem que, sem soluções intergeracionais, o stress financeiro, os maus resultados de saúde e a erosão da riqueza aumentarão tanto para os jovens como para os adultos mais velhos.
O relatório argumentou que estão a surgir novos modelos de vida ao longo da vida para enfrentar os desafios habitacionais que afectam os adultos mais jovens e mais velhos, e que a colaboração intergeracional será fundamental para preservar a estabilidade dos sistemas financeiros e sociais. Aponta projetos em Espanha, no Reino Unido e em Hong Kong como exemplos de como a qualidade, a comunidade e a acessibilidade podem ser colocadas no centro da política habitacional.
A escala do problema é global e persistente. A análise de 21 países mostra que, em 20 deles, os pagamentos mensais de hipotecas e rendas excedem 33 por cento do rendimento mensal – o limiar a partir do qual a habitação é considerada acessível. O fardo é mais grave na Nigéria, Colômbia, Índia, Indonésia, Vietname, Brasil e México, onde os pagamentos mensais excedem 100% do rendimento médio mensal de um indivíduo. Mesmo em países onde os preços caíram em relação aos salários, a acessibilidade não melhorou. No Brasil, na Índia e na Indonésia, os preços caíram mais de 15% na última década, mas os pagamentos ainda superam os rendimentos de uma única pessoa.
A pressão demográfica intensificará a tensão. Entre 2025 e 2040, a população de idosos nas economias de elevado crescimento deverá aumentar mais rapidamente do que nos países já envelhecidos, forçando os trabalhadores mais jovens a equilibrar rendas ou hipotecas com poupanças para vidas mais longas e cuidados para múltiplas gerações. O FEM observa que habitações caras podem empurrar as pessoas para casas de má qualidade, apertadas ou isoladas, longe de empregos e serviços, criando um ciclo vicioso de stress financeiro, despesas médicas e poupanças reduzidas a longo prazo.
O relatório também sinaliza consequências comportamentais. Com a acumulação de riqueza bloqueada, os jovens adultos estão a adotar estratégias financeiras arriscadas, como a especulação com criptomoedas e mercados de previsão. Nos países da OCDE de rendimento elevado, o aumento dos preços desde 2015 levou mais jovens a viver com os pais até aos vinte anos.
Para quebrar o ciclo, o FEM destaca modelos habitacionais intergeracionais. Em Espanha, o Kuvu liga proprietários mais velhos a arrendatários jovens, reduzindo a solidão e ao mesmo tempo proporcionando rendimentos aos idosos e habitação a preços acessíveis aos arrendatários, com uma parceria público-privada na região Basca ajudando a ampliá-la. Em Southwark, Londres, o Appleby Blue Almshouse ganhou o Prémio RIBA Stirling 2025 por reimaginar a habitação social para idosos, oferecendo uma alternativa de alta qualidade ao envelhecimento no local e libertando casas familiares maiores. Em Hong Kong, a Forward Living utiliza princípios de design nórdico para fazer com que os cuidados institucionais se sintam em casa, priorizando a dignidade e a autonomia.
O relatório concluiu que a habitação deve ser reformulada como uma questão vitalícia e não geracional. Reconhecer os desafios enfrentados por todas as gerações pode facilitar a colaboração e gerar melhores resultados para todos, afirma, à medida que os países correm para vincular a política habitacional à saúde e à riqueza antes do pico da mudança demográfica em 2040. (ANI)